A Ordem dos Farmacêuticos (OF) considerou hoje que o aumento recorde de despesas com medicamentos refletem o custo da inovação terapêutica e a falta de entrada de novos genéricos no mercado.
A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos atingiu o recorde de 4.417 milhões de euros no ano passado (+15,8%), um valor que nos hospitais ultrapassou pela primeira vez os 2.500 milhões de euros (+11,2%).
Despesa do SNS com medicamentos bateu recorde com 4.417 milhões de euros
“Este aumento da despesa era expectável (…). Para quem acompanha o processo relativamente aos medicamentos e entrada de novos medicamentos no mercado, esta despesa reflete o momento de inovação terapêutica que estamos a viver”, afirmou à Lusa o bastonário da OF, Helder Filipe.
“Estamos a ter mais inovação terapêutica e a resolver problemas que até agora não conseguiam ser tão bem resolvidos ou não eram resolvidos mesmo”, salientou o bastonário, reconhecendo que “todos estes medicamentos são muito caros” e geram aumentos anuais acima dos dois dígitos na despesa hospitalar e em ambulatório, “algo que antes não acontecia”.
Além dos medicamentos utilizados para a diabetes, que também ajudam a emagrecer, “há um conjunto de outros novos medicamentos, como os novos antidiabéticos orais ou os novos anticoagulantes orais, que também são caros e que têm vindo a ser cada vez mais utilizados e a pesar na despesa”, explicou Helder Filipe.
“Temos que discutir de que maneira é que podemos manter o sistema sustentável e ter mecanismos para gastar menos do que estamos a gastar, mantendo o acesso aos medicamentos. Temos de preparar o Serviço Nacional de Saúde e todo o sistema de saúde para esta para esta nova realidade que vivemos”, salientou o bastonário da OF, defendendo a entrada de mais genéricos no mercado.
“Devemos ter mecanismos que permitam que o custo seja o menor possível, mas que não limitem o acesso à inovação terapêutica e uma das ferramentas que nós temos é a maior utilização de genéricos”, explicou.
Famílias gastaram mais de 966 milhões de euros em medicamentos no ano passado
Contudo, os dados apontam para uma “tendência de estagnação da quota de medicamentos genéricos” e isso deve ser avaliado pela tutela, alertou.
A despesa das famílias com medicamentos ultrapassou os 966 milhões de euros no ano passado (+4,9%) e nos primeiros três meses deste ano já atingiu os 243 milhões, segundo dados do Infarmed.
De acordo com o relatório relativo à despesa com medicamentos em ambulatório em 2025, a que a Lusa teve acesso, as famílias gastaram no ano passado mais 45,4 milhões de euros em fármacos do que no ano anterior, quando a despesa dos utentes chegou aos 920,7 milhões de euros.




