A Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria está a executar um investimento superior a 19 milhões de euros, financiado maioritariamente por fundos do Portugal 2030, para modernizar equipamentos e reforçar a resposta assistencial.
Os projetos, apresentados numa sessão pública no Hospital Distrital de Santarém, integram um total de 29 iniciativas com horizonte até 2030, abrangendo cuidados hospitalares e de saúde primários, para uma população de mais de 205 mil utentes dos nove concelhos da Lezíria do Tejo.
Segundo o presidente do conselho de administração da ULS Lezíria, Pedro Marques, este investimento “é muito necessário para requalificar o espaço, não só as instalações, mas também os equipamentos”, permitindo prestar cuidados “com maior qualidade, maior segurança e tratamentos mais efetivos”.
Uma das principais componentes do plano incide na renovação tecnológica, com a aquisição de equipamentos para o hospital e unidades de saúde primárias, incluindo tecnologia de imagiologia, equipamentos cirúrgicos e sistemas de monitorização.
Está também prevista a aquisição de 146 camas hospitalares elétricas e de novos sistemas informáticos, com o objetivo de “modernizar processos assistenciais e administrativos e aumentar a eficiência dos serviços”.
Em paralelo, decorre um programa de requalificação do internamento, que inclui intervenções nos serviços de medicina, cirurgia, obstetrícia/neonatologia e psiquiatria, bem como a criação de uma Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina Interna.
Entre as novas infraestruturas destacam-se ainda a construção de um edifício dedicado à psiquiatria e pedopsiquiatria, uma unidade de preparação de citotóxicos, uma nova base da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e a renovação de redes críticas como o abastecimento de água e o sistema elétrico.
Pedro Marques sublinhou que “estes projetos representam muito mais do que obras ou novos equipamentos”, constituindo um investimento na “inovação, na qualidade e humanização dos cuidados e na valorização dos profissionais”.
Segundo a Lusa, o responsável destacou também que a modernização das instalações e equipamentos é “determinante para reforçar a atratividade da instituição e fixar recursos humanos”, referindo que foram recentemente recrutados profissionais para várias especialidades, bem como nove médicos de família que irão reforçar os cuidados de saúde primários, abrangendo cerca de 14 mil utentes.
Referindo-se ados constrangimentos associados às obras em curso, o presidente da ULS apelou à compreensão da população, sinalizando que os trabalhos deverão intensificar-se até ao final do verão.
“Não se consegue fazer a obra sem fazer a obra”, afirmou, alertando para a necessidade de adaptação dos trabalhadores e utentes ao impacto das obras, nomeadamente o ruído e a poeira.
Pedro Marques afirmou ainda que todos os projetos em execução são prioritários, destacando investimentos relevantes em áreas como a hematologia, a saúde mental, a criação de novos centros de diagnóstico e a futura instalação de um robô cirúrgico.
No âmbito da estratégia de desenvolvimento, a ULS Lezíria prevê também apostar na investigação e formação, estando em avaliação a “criação de um serviço dedicado a estas áreas, com o objetivo de reforçar a diferenciação e atratividade da instituição”.
Outros dos objetivos é a ULS Lezíria posicionar-se “na vanguarda das unidades mais diferenciadas”, acompanhando o aumento da procura numa região com crescimento demográfico.
Sobre a abertura de unidades privadas na região, o responsável considerou que não existe uma saída significativa de profissionais do Serviço Nacional de Saúde, defendendo antes uma lógica de complementaridade entre setores.
“O mercado é dinâmico” e “não há um número significativo de profissionais a sair”, disse, acrescentando que as unidades privadas podem funcionar como parceiras.




