
A ministra da Saúde recusou hoje que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) esteja a falhar na atividade assistencial que presta aos utentes, alegando que isso é um mito “sistematicamente repetido”.
“Os números, todos eles, indicam que o SNS não está a falhar”, afirmou Ana Paula Martins, citada pela Lusa, após o Conselho de Ministros, um dia depois de o líder do PS, José Luís Carneiro, ter acusado o primeiro-ministro de ter falhado na saúde e de ser o responsável por manter em funções uma ministra que perdeu “há muito” a autoridade política.
No mesmo dia, a deputada socialista Mariana Vieira da Silva tinha defendido a demissão de Ana Paula Martins, acusando-a de já ter desistido do SNS, que apresenta “dados gravíssimos de deterioração na resposta” aos utentes.
Na conferência de imprensa de hoje, a governante salientou que o SNS cobre atualmente mais de 10,5 milhões de utentes, assegurando que, relativamente a 2024, quando o Governo da coligação AD assumiu funções, “todos os indicadores assistenciais melhoraram”.
“O SNS não falha, esse é um mito que é sistematicamente repetido por causa de haver situações em que a atividade assistencial não é aquela que, eventualmente, comparando com períodos homólogos, era esperada”, defendeu Ana Paula Martins.
Em causa está a redução de vários indicadores nos primeiros dois meses de 2026, que a ministra reconheceu ter acontecido, sobretudo, nas cirurgias e nas primeiras consultas, mas que considerou serem recuperáveis no resto do ano.
Ana Paula Martins atribuiu essa diminuição ao pico de gripe, mas também ao “inverno rigoroso”, alegando que os seus impactos no SNS se prolongam por semanas, devido aos internamentos complexos e demorados que provoca.
“Têm de nos deixar trabalhar e têm de nos deixar continuar a colocar os incentivos na organização dos serviços e na resposta das listas de espera para cirurgia e para consultas”, apelou a ministra, reafirmando que o novo sistema nacional de acesso SINAAC, que vai substituir o SIGIC, entra em funcionamento a 01 de agosto.




