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Sindicato dos Enfermeiros responsabiliza Ministério por situação na Linha Saúde 24

02-Jan-2014

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses responsabilizou, na segunda-feira, o Ministério da Saúde pela situação dos trabalhadores da Linha Saúde 24, considerando que está a ser feito um desinvestimento na linha que pode significar o fim deste atendimento telefónico.

Trabalhadores da Linha Saúde 24 têm alertado nos últimos dias para o risco de este serviço perder qualidade, já que, dizem, mais de 300 dos 400 enfermeiros poderão ser forçados a abandonar a empresa, sendo substituídos por pessoas sem experiência. Em causa está a decisão da administração de baixar os salários para menos de cinco euros à hora.

Em declarações à agência “Lusa”, Jorge Rebelo, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), considerou que a responsabilidade da situação é do próprio Ministério da Saúde, face ao contrato estabelecido para exploração da linha.

De acordo com a informação disponibilizada ao sindicato, o novo contrato de gestão da linha tem um valor de cerca de 60% inferior ao contrato inicial com a Linha.

Segundo o sindicalista, o contrato inicial com a Linha Saúde 24 previa o pagamento pelo Estado de mais de 20 euros por cada chamada efetivada por um utente. O novo contrato prevê menos de oito euros por chamada.

«Há aparentemente um desinvestimento do Ministério da Saúde. Temos alguma desconfiança acerca da manutenção da linha a longo ou a curto prazo», referiu Jorge Rebelo à “Lusa”.

O sindicalista disse não compreender o desinvestimento nesta linha, que tem tido níveis de satisfação por parte dos utentes acima dos 90%.

Elementos do SEP estiveram reunidos no dia 23 com a atual administração da Linha Saúde 24, que em breve passará a gestão para o consórcio Optimus/Telperformance, e irão analisar as propostas contratuais com os trabalhadores nos dias 3 e 6 de janeiro.

Segundo Tiago Pinheiro, da Comissão Informal de Comunicadores da Linha Saúde 24, a administração da empresa já começou o processo de recrutamento e integração de novos colaboradores, que não terão qualquer experiência na área de triagem de sintomas, para poder substituir os atuais enfermeiros que não aceitem os novos ordenados.

A comissão indica que a administração propõe um corte de cerca de 20% no salário, que passaria a rondar os cinco euros líquidos por hora.

«Não queremos ser castigados e forçados a ficar mediante valores que não respeitam minimamente o nosso trabalho e o nosso empenho», disse Tiago Pinheiro, no sábado, à “Lusa”.

De acordo com o sindicato, a grande maioria dos enfermeiros da Linha Saúde 24 funciona com contratos de prestação de serviços, a recibos verdes, não podendo por isso ser decretada uma greve.

Questionado pela “Lusa” sobre esta situação, o Ministério da Saúde disse tratar-se de «uma questão entre uma empresa privada e os seus trabalhadores, não cabendo ao Ministério tecer considerações sobre a política salarial dessa empresa».

«Ao Ministério cabe exigir o cumprimento do contrato e é isso que fará. O contrato de prestação de serviços terá de ser cumprido com a qualidade que o Ministério da Saúde exigiu no concurso», adiantou ainda o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde. A “Lusa” solicitou ao Ministério acesso a esse contrato, mas até ao momento ainda não obteve resposta.

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