Recuperar dos últimos dois anos com as menores sequelas possíveis 119

Catarina Canha – Secretária-Geral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Tradicionalmente esta época leva-nos a refletir sobre o ano que agora termina e a traçar objetivos para o ano que se inicia. Quando nós, Internistas, olhamos para trás não devemos ver apenas os últimos 12 meses, mas os últimos setenta anos, ao longo dos quais, em torno da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, nos juntamos para promover uma melhoria contínua dos cuidados de saúde.

A capacidade de adaptação e resiliência da Medicina Interna precede os recentes acontecimentos mundiais. Foi sem surpresa que abraçámos os desafios que estes dois últimos anos trouxeram a todo o Mundo, de forma competente e eficaz. Durante este período os Internistas adaptaram-se, aprenderam e ensinaram, em suma lideraram na linha da frente e contribuíram, na retaguarda, para a organização da resposta necessária.

O próximo ano trará seguramente desafios, alguns antecipáveis, como a reorganização necessária para recuperar dos últimos dois anos, com as menores sequelas possíveis. Para além disto, estaremos a liderar na inovação, na procura de conhecimento e progresso científico, promovendo investigação de qualidade no seio da Medicina Interna e em colaboração com outras áreas do conhecimento médico. Pretendemos contribuir para os avanços tecnológicos que facilitam a interação médico-doente, como exemplo a telemedicina, garantindo que não é descurada a qualidade do atendimento médico. Continuaremos a liderar a formação no âmbito da Academia, na formação dos nossos internos, dos internos das restantes especialidades médicas e na renovação do conhecimento entre especialistas. O nosso papel na formação é um dos mais importantes e um dos quais mais nos orgulhamos. Uma boa formação em Medicina Interna tem impacto nas diferentes especialidades médicas e contribui para Serviços de Saúde mais eficientes e produtivos.

Desde sempre que a Medicina Interna, como especialidade agregadora tem um papel importante junto dos órgãos técnicos e decisores das políticas de saúde nacionais, contribuindo para que estes tenham uma visão mais completa dos problemas e consigam estruturar respostas mais adequadas. Durante este próximo ano será expectável que este papel seja reforçado, pelo que estamos já a prepararmo-nos para tal. Esperamos promover sinergias com a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares e trabalhar com o Ministério da Saúde, na implementação de políticas centradas no doente e que visem uma melhoria da saúde em Portugal. Planeamos colaborar na implementação de circuitos de gestão integrada da doença crónica e da referenciação hospitalar.

Mantém-se atuais as palavras do Professor Augusto Vaz Serra, que 1953 assegurava que a grande ambição da Medicina Interna de hoje está no progresso do conhecimento científico, isto é, a substituição da probabilidade pela certeza, a dúvida pela segurança, a sombra pela claridade.

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