“É urgente adotar um Programa Nacional de Imunização dos 0 aos 100”: Especialistas apontam medida como “pilar estratégico” para um envelhecimento saudável 43

• Proposta defende que expandir o sucesso da vacinação infantil a todas as idades é um investimento crucial na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na promoção de um envelhecimento ativo.

Lisboa, 23 de abril de 2026 – Um grupo de especialistas nacionais une-se para apelar à criação de um “Programa Nacional de Imunização dos 0 aos 100”, no âmbito do mês dedicado à Imunização, no qual se incluem a Semana Europeia (19 a 25 de abril) e a Semana Mundial da Imunização (24 a 30 de abril). A proposta visa capitalizar o sucesso exemplar de Portugal na vacinação infantil e expandi-lo a todas as idades, posicionando a imunização como um investimento estratégico na promoção de um envelhecimento saudável e na sustentabilidade do sistema de saúde.
A iniciativa surge num momento crucial, alavancando a discussão parlamentar sobre a revisão do Programa Nacional de Vacinação (PNV) do adulto e o repto da Organização Mundial da Saúde (OMS), que assinala a data sob o lema ‘Para cada geração, as vacinas funcionam’.
O pneumologista Filipe Froes, um dos principais impulsionadores da visão, sublinha a urgência da transição. “Em Portugal, temos de passar de um Programa Nacional de Vacinação para um Plano Nacional de Imunização ao Longo da Vida. Temos uma experiência e resultados muito positivos nas crianças, que devemos agora expandir para um calendário de vacinação que abranja todas as fases da vida, como já existe noutros países europeus. É o passo lógico para assegurar um envelhecimento mais saudável”, afirma, apontando a estratégia “95-95-95” — inspirada no modelo utilizado no combate ao VIH e adaptada à vacinação, propondo atingir 95% de cobertura vacinal em três grupos prioritários: pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos e profissionais de saúde. Esta estratégia oferece uma base técnica sólida para reduzir o impacto das infeções e reforçar a proteção dos mais vulneráveis. A Semana Mundial da Imunização reforça a urgência de transformar esta recomendação em ação.
Filipa Prata, especialista em pediatria, recorda que a base para esta ambição está no sucesso histórico do PNV português: “em Portugal, conseguimos algo extraordinário graças ao nosso Programa Nacional de Vacinação. Doenças que marcaram gerações, como a difteria, a poliomielite e o sarampo, são agora memórias muito distantes. Atingimos taxas de cobertura vacinal muito elevadas na infância, que são um exemplo para todo o mundo”.
Com o aumento da longevidade, proteger a população adulta e idosa torna-se um desafio central. A especialista em Medicina Interna, Sofia Duque explica que o envelhecimento saudável está diretamente ameaçado pelas infeções: “Chegamos a idades mais avançadas muitas vezes sem saúde e com perda de qualidade de vida. As infeções ao longo da vida trazem um componente inflamatório que acelera o envelhecimento. Por isso, a vacinação não será um gasto, será sim um investimento que contribuirá para a sustentabilidade do nosso sistema de saúde”, defende a especialista.
José Albino, presidente da Associação Portuguesa de Pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e outras Doenças Respiratórias Crónicas (RESPIRA), partilha a perspetiva de quem convive diariamente com a ameaça constante de infeções, e sublinha que para estes a imunização como medida preventiva deve ser prioritária: “para milhões de pessoas com doença crónica, como a DPOC, a prevenção é a melhor forma de evitar as infeções. A primeira linha de defesa é, sem dúvida, a imunização. Uma infeção, nestes doentes, representa hospitalização e a degradação da sua qualidade de vida. É fundamental alargar a vacinação a todos os doentes crónicos de todas as faixas etárias”.
Helena Freitas, Diretora-Geral da Sanofi Portugal, partilha a visão que move esta iniciativa: “Vivemos uma transição demográfica que exige que a prevenção seja o pilar do nosso Serviço Nacional de Saúde. A visão de uma ‘Imunização dos 0 aos 100’ é a resposta para garantir essa sustentabilidade. Alargar o sucesso do PNV à idade adulta é um investimento com um retorno claro em mais saúde e qualidade de vida para todos. Na Sanofi, o nosso compromisso é com uma ciência que protege as pessoas em todas as idades.”
O impacto global da vacinação, de acordo com a OMS, e segundo um estudo publicado na The Lancet1, é inegável: em 50 anos, entre 1974 e 2024, os esforços globais de vacinação salvaram pelo menos 154 milhões de vidas — o equivalente a 6 vidas por minuto . Para este grupo de especialistas, estes números reforçam a urgência de Portugal abraçar uma nova era de imunização abrangente e contínua ao longo de toda a vida.