PR pede denominador comum para encontrar resposta na saúde para várias legislaturas

O Presidente da República, António José Seguro, considerou hoje uma prioridade encontrar um denominador comum para melhorar o acesso aos cuidados de saúde e conseguir uma “resposta conjunta” para “várias legislaturas”.

No discurso de encerramento da sessão de apresentação do Índice de Saúde Sustentável, em Lisboa, António José Seguro lembrou os desafios demográficos e de acesso à saúde, frisando que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “não é de ninguém” e “pertence a todos os portugueses”.

Mais de metade dá nota positiva à modernização no SNS, exceto no acesso à inovação

Seguro criticou quem opta pelo “jogo do passa culpas” e apelou à ação na procura de um “denominador comum” para melhorar o acesso dos portugueses aos cuidados de saúde.

A este respeito, o Presidente da República – que elegeu a saúde como uma das suas prioridades e designou o antigo ministro Adalberto Campos Fernandes como coordenador do pacto estratégico para a saúde – apelou a que se vença o “conservadorismo persistente de organização e gestão” e a “relutância em mudar”.

Apontou alguns dos desafios do SNS, como a pressão demográfica, com a população mais envelhecida e com mais carga de doenças, assim como as limitações financeiras e de recursos humanos, mas pediu cautela na “generalização negativa”, avisando: “Estamos a falar de salvar pessoas”, declarou, citado pela Lusa.

“O SNS é uma das conquistas da democracia (…). É um dever coletivo garantir a sua sustentabilidade”, afirmou.

À saída, questionada pelos jornalistas, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse que “o Governo ganhará sempre com um pacto na área da saúde”.

“Ganhará sempre porque um pacto significa convergência, significa que nos entendemos em matérias fundamentais e fundacionais para a preservação do Serviço Nacional de Saúde, para responder às pessoas. É para isso que o queremos preservar e proteger”, afirmou a governante.

Investimento no SNS permitiu retorno de 10,2 mil milhões na economia

Disse ser “muito bem-vinda” a magistratura de influência do Presidente da República, acrescentando: “O Governo, naturalmente, continuará a fazer o seu trabalho, que é cumprir o programa de Governo que tem. Nesse contexto, continuaremos a trabalhar, como tem sido, aliás, visível nas medidas que temos que temos em programa e seguiremos o nosso cronograma naturalmente”.

Ana Paula Martins falava após a sessão de apresentação do Índice de Saúde Sustentável 2025/2026, hoje apresentado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, um estudo elaborado pela Nova Information Management School (Nova IMS).

Segundo os dados divulgados, o investimento no SNS no ano passado permitiu um retorno económico de 10,2 mil milhões de euros, pelas faltas ao trabalho que evitou e pelo impacto na produtividade.

A edição deste ano incorpora uma atualização metodológica alinhada com a evolução do próprio SNS – que passou para um financiamento por capitação – e contempla uma nova componente dedicada à prevenção.

Apesar de os autores alertarem para a impossibilidade de comparar diretamente o índice deste ano com aquele apresentado em 2025, há alguns componentes que vêm do passado e cuja evolução resulta numa cada vez maior pressão financeira no SNS.

O novo índice de sustentabilidade do SNS está nos 59,3 pontos (de 0 a 100), para o qual contribui o aumento substancial da despesa (+9,1%), a subida do ‘stock’ da dívida vencida (-31%), a ligeira redução da atividade, a estabilização dos níveis de qualidade, a diminuição da acessibilidade e os resultados da nova componente da prevenção.