Ordem dos Médicos quer manter administração de vacinas contra a gripe nas farmácias 223

A Ordem dos Médicos enviou à Direção-Geral da Saúde (DGS) um conjunto de 12 propostas estratégicas para melhorar a preparação e resposta nacional à gripe na época 2026-2027, num momento em que decorre a Semana Europeia da Imunização, iniciativa que sublinha a importância da vacinação ao longo da vida como instrumento essencial de saúde pública.

Entre as propostas apresentadas, que resultam da análise técnica da Ordem dos Médicos e visam reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), aumentar a proteção das populações mais vulneráveis, melhorar a vigilância epidemiológica e promover uma cultura de prevenção assente em evidência científica, destaca-se “reforçar a acessibilidade com ‘Dias de Vacinação’, manter a administração de vacinas em farmácias e unidades de saúde de cuidados primários, assim como dinamizar equipas móveis”.

Em comunicado, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, sublinha que “a gripe é um fenómeno previsível e não podemos continuar a responder como se fosse uma surpresa anual” e declara que “a preparação tem de começar no final da época anterior, com planeamento, avaliação e melhoria contínua”.

Entre as 12 medidas propostas destacam-se ainda:

– Incluir a vacina da gripe no Programa Nacional de Vacinação, começando pelos grupos prioritários (pessoas com 60 ou mais anos, grávidas, crianças, profissionais de saúde e grupos de risco) com metas de cobertura vacinal superiores a 75% até dezembro, sendo que em 2030 o objetivo deverá ser de 95%.

– Alargar e integrar os sistemas de vigilância da gripe e de outros vírus respiratórios, incluindo a análise de águas residuais e a articulação com sistemas europeus.

– Reforçar a equidade e a segurança, priorizando quem tem maior risco de evolução para a doença e sublinhando o perfil de segurança das vacinas.

– Envolver médicos e outros profissionais de saúde no ciclo de melhoria continua e na implementação das respostas, reconhecendo o papel central na proximidade aos doentes e na promoção da vacinação.

– Alargar a vacinação universal em idade pediátrica, dada a elevada efetividade da vacina na prevenção de infeção, hospitalização e mortalidade em crianças.

– Melhorar a proteção dos mais idosos com vacinas de maior dosagem ou com adjuvantes e avaliar o uso em doentes imunocomprometidos.

– Promover campanhas de comunicação estruturadas, multiplataforma, envolvendo os vários agentes da sociedade civil.

– Recomendar o uso de máscara em períodos de circulação epidémica, especialmente em pessoas com sintomas respiratórios, em unidades de saúde, estruturas residenciais e ambientes fechados.