
A gestão de pessoas está a atravessar uma mudança profunda, impulsionada pelas expectativas das novas gerações de profissionais. A valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a procura por experiências diversificadas e uma menor preocupação com a estabilidade a longo prazo estão a obrigar as empresas a rever modelos de carreira, remuneração e retenção de talento.
No quinto episódio do podcast Conferência de Líderes, intitulado ‘Gestão de RH: Chuva de Estrelas’, Miguel Rovisco de Andrade, da A. Menarini Portugal, e Nelson Ferreira Pires, diretor-geral da Recordati, conversaram novamente com Miguel Santos Silva, Partner & BD Head Grupo Planet+ Pharmaplanet. A moderação volta a estar a cargo de Paulo Silva, da MARKETING FARMACÊUTICO.
Miguel Silva destacou que o paradigma laboral mudou. Os jovens profissionais não demonstram a mesma preocupação com a estabilidade que caracterizava gerações anteriores. “Vivemos numa sociedade de abundância e muitos acreditam que será sempre assim”, afirmou, explicando que esta perceção influencia a forma como encaram o emprego e as oportunidades de carreira.
Miguel Rovisco de Andrade salientou, contudo, que as prioridades tendem a alterar-se ao longo da vida. “Quando se tem filhos, procura-se mais estabilidade do que aventura”, observou. Ainda assim, reconheceu que as novas gerações evidenciam um forte sentido de urgência na progressão profissional. “Entram numa companhia e, dois ou três anos depois, sentem que têm de ser promovidos”. Quando isso não acontece, “mudam para outra empresa”, referiu.
Para o responsável, muitas organizações ainda não estão preparadas para responder a esta nova realidade, marcada por uma maior rotação de colaboradores. Apesar disso, considera que o fenómeno não é necessariamente negativo. “Enquanto der resultado, talvez não seja uma coisa tão má quanto isso”, afirmou, defendendo que as empresas devem ganhar flexibilidade para acomodar percursos profissionais mais dinâmicos e permitir uma maior mobilidade interna.
Também Nelson Ferreira Pires destacou que o conceito de work-life balance assumiu uma relevância sem precedentes para os profissionais mais jovens. Segundo o gestor, esta valorização vai além dos horários, abrangendo aspetos como o ambiente de trabalho, o respeito e a cultura organizacional. “As carreiras já não são muito verticais, são muito em ‘Z’”, afirmou.
Neste contexto, as empresas têm vindo a adaptar os seus modelos de gestão, apostando na organização por projetos. O próprio modelo de remuneração, de acordo com Nelson Ferreira Pires, está também a sofrer transformações para acompanhar estas mudanças.
Para o responsável da Recordati, o grande desafio das organizações passou a ser “conciliarmos as várias gerações”.
Descubra o que os líderes têm a dizer sobre este assunto:
A Conferência de Líderes é uma série de episódios do MF Talks – O Podcast, uma iniciativa da Revista MARKETING FARMACÊUTICO, com o patrocínio da PHARMAPLANET.




