Não nos esqueçamos do cancro da mama 53

Mais um ano em que nos unimos à comemoração do Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, assinalada a 30 de outubro. Uma data que tem um objetivo muito específico: sensibilizar a população e promover um maior acesso a testes diagnósticos e tratamentos eficazes. Ainda mais em momentos como o que estamos a viver.

E uma das consequências que o COVID-19 trouxe foi uma queda substancial no número de novos diagnósticos. Diminuição que tem sido atribuída ao cancelamento de exames durante o confinamento e, posteriormente, ao medo ou cuidado de se aproximar dos espaços de saúde para evitar o contágio com o coronavírus.

No caso do cancro da mama, o diagnóstico está suspenso para muitas mulheres e não é uma boa notícia, principalmente se levarmos em conta que quanto mais cedo for detetado, maior será a possibilidade de controlá-lo e eliminá-lo. É necessário voltar ao procedimento ginecológico e aos exames de rastreio habituais para descartá-lo ou detetá-lo precocemente.

E para aqueles últimos casos que têm de enfrentar a doença, os oncologistas recorrem cada vez mais aos estudos genómicos do tumor, úteis para poder oferecer aos doentes um tratamento personalizado com maiores hipóteses de sucesso. Graças a tudo isso, conseguiu-se que o cancro da mama seja um dos cancros com melhor prognóstico, com uma sobrevida líquida a cinco anos de 90%.

O oncologista pode recomendar o teste genómico tanto de uma biópsia sólida (tecido) como de uma biópsia líquida (sangue). Os resultados oferecem ao especialista informações mais completas sobre o tumor, bem como novas opções de tratamento que melhor se adaptem às características genéticas e genómicas do tumor do doente, aumentando não só as hipóteses de sobrevivência, mas também evitando tratamentos desnecessários e sua possível toxicidade.

Nesse processo de diagnóstico e acompanhamento, existem outras ferramentas úteis no ambiente de big data, válidas tanto para o cancro da mama quanto para qualquer outro processo oncológico. Estas são plataformas capazes de interpretar rapidamente os dados genéticos brutos do doente e transformá-los em relatórios úteis para o oncologista.
Utilizamos ferramentas de bioinformática que integram e interpretam dados genómicos de diferentes áreas de estudo (patologia molecular, estudos de expressão, genética, clínica, etc.). O sistema processa esses dados e organiza-os para fornecer aos oncologistas as informações de que precisam para desenvolver planos de tratamento que determinam a terapia mais eficaz para cada um dos seus doentes.

Em algumas ocasiões, também é possível entrar em contato com outros profissionais de todo o mundo por meio do networking promovido por essas plataformas. É possível partilhar e analisar com eles (e a partir da própria consulta) casos específicos com dados e resultados anónimos. Uma forma útil de trabalhar para trocar experiências, ver novos pontos de vista e encontrar juntos a solução certa para cada doente.

São fórmulas cada vez mais completas, todas relacionadas com a medicina personalizada e a oncologia de precisão. Duas variáveis interligadas que estão a promover resultados muito positivos, principalmente para os doentes (a sua utilização tem-se traduzido em melhores resultados e novas opções terapêuticas mesmo em tumores mais agressivos como os triplo negativos).

E também para oncologistas, que podem agilizar a sua tomada de decisão graças às informações sobre o perfil molecular do tumor. Algo que, por outro lado, beneficia também o próprio sistema de saúde, que pode ser mais eficiente graças a todas essas novas ferramentas, melhorando assim o acesso das doentes com cancro da mama (ou qualquer outro tipo de cancro) a esta via de diagnóstico e tratamento.

Adriana Terrádez – diretora da OncoDNA para Espanha, Portugal e América Latina

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