Investigação portuguesa na origem de medicamento aprovado em 44 países

Uma investigação iniciada na Universidade de Aveiro esteve na origem de um medicamento para o tratamento da hipercaliémia, atualmente aprovado em 44 países.

O caso foi hoje apresentado no encontro ‘Where Science meets Innovation‘, promovido pela AstraZeneca Portugal, em Lisboa, que reuniu investigadores, profissionais de saúde e diferentes parceiros do setor para discutir como a investigação, a geração de evidência e a colaboração podem contribuir para transformar conhecimento científico em soluções e melhorias concretas nos cuidados de saúde.

Da investigação em Aveiro à escala internacional

No Laboratório Associado CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, da Universidade de Aveiro, João Rocha e a sua equipa desenvolveram investigação em silicatos de zircónio microporosos, entre os quais o AV-13. Este material partilha a mesma estrutura de base, com pequenas diferenças de composição, com o composto desenvolvido pela ZS Pharma que viria a ser utilizado como tratamento da hipercaliémia.

Estes trabalhos contribuíram para o conhecimento desta família de materiais e deram lugar a uma colaboração científica com a ZS Pharma, atualmente parte da AstraZeneca.

A hipercaliémia caracteriza-se por níveis elevados de potássio no sangue e é uma condição comum em pessoas com doença renal crónica e insuficiência cardíaca. Segundo explicado em comunicado, o medicamento resultante deste percurso foi aprovado pelas autoridades reguladoras europeia e norte-americana, encontra-se atualmente aprovado em 44 países e está aprovado pelo Infarmed desde dezembro de 2022.

O contributo desta investigação para o desenvolvimento e impacto global do medicamento foi recentemente integrado na exposição comemorativa dos 50 anos da Universidade de Aveiro, que destaca alguns dos principais marcos da instituição e o seu impacto na sociedade.

“Quando começámos a estudar estes materiais em Aveiro, estávamos a fazer investigação fundamental, sem antecipar necessariamente até onde esse conhecimento poderia chegar. Ver hoje uma linha de investigação desenvolvida no CICECO na Universidade de Aveiro associada a uma solução terapêutica utilizada internacionalmente mostra como a ciência feita em Portugal pode contribuir para avanços com alcance global. Mostra também a importância da colaboração entre a academia e a indústria para transformar conhecimento científico em benefícios concretos para as pessoas”, afirma, no comunicado referido, João Rocha, professor catedrático de Química da Universidade de Aveiro.

Ciência, colaboração e impacto

O encontro ‘Where Science meets Innovation‘ reuniu diferentes dimensões da inovação em saúde: da investigação científica com projeção internacional à geração de evidência sobre a realidade portuguesa e ao desenvolvimento de projetos colaborativos dirigidos a necessidades concretas dos doentes e dos serviços de saúde.

O programa contou com intervenções de Nathalie Cardinal von Widdern, presidente da AstraZeneca Portugal; Andreas Heddini, vice-presidente Medical Affairs, Europa e Canadá; João Rocha, professor catedrático de Química da Universidade de Aveiro; e Hugo Martinho, diretor médico da AstraZeneca Portugal. A mesa-redonda ‘Parcerias com impacto que fazem a diferença’ reuniu Ricardo de Albuquerque, Rui Baptista, Margarida Dias, Paula Pinto e Filipe Costa e o encontro foi moderado pelo jornalista Pedro Benevides.