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Falta de médicos é o principal problema nos cuidados de proximidade do Médio Tejo

06-Fev-2014

Profissionais da saúde na região do Médio Tejo apontaram ontem a falta de médicos como o principal problema na gestão de cuidados de proximidade na zona, referindo haver milhares de utentes «a descoberto» nos cuidados de saúde primários.

«A falta de profissionais de saúde, nomeadamente médicos de família, tem deixado a descoberto milhares de utentes na região do Médio Tejo. Dos cerca de 230 mil utentes registados no agrupamento de centros de saúde (ACES), 18% estão sem médicos de família, em média, sendo que, no concelho de Abrantes, o número atual é de 40%», disse à agência “Lusa” a presidente do Conselho da Comunidade do Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo.

Segundo Maria do Céu Albuquerque, que também preside ao município de Abrantes, em causa estão 35 mil pessoas sem acesso a cuidados médicos de proximidade, em termos de extensões de saúde. As perspetivas, disse, «não são boas», já que não existem respostas imediatas para o problema nem médicos de família disponíveis.

«Temos de esperar que novos profissionais concluam os respetivos processos de formação, o que não deverá acontecer antes do final do ano 2015, e o que debatemos, entre outros assuntos, foi o procurar de alternativas para atenuar os atuais problemas e perspetivar, de forma articulada, o futuro dos cuidados primários neste ACES», referiu.

A reunião de trabalho que decorreu ontem no Centro de Saúde de Constância teve como «mais-valia» colocar todos os responsáveis a falar sobre cuidados de saúde primários, com «informação partilhada, debatida e atualizada no âmbito da preparação de uma estratégia conjunta para um plano local de saúde», observou.

Foi feito um ponto de situação dos cuidados primários de saúde no Médio Tejo, foi apresentado o perfil de saúde na região e as perspetivas e foi ainda aprovado um plano conjunto de trabalho com o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).

«Assumindo a dificuldade em atrair médicos para a região, aprovámos um protocolo com o CHMT que visa a articulação dos cuidados de saúde primários com os cuidados hospitalares e que consiste na ida dos profissionais do hospital aos centros de saúde prestar consultas», precisou Céu Albuquerque.

A responsável sublinhou ainda a importância de se criar uma «carta de saúde» para todo o Médio Tejo, por forma a colmatar a falta de planificação na distribuição dos equipamentos de saúde na região. «Esta carta supramunicipal visaria a estabilização funcional dos equipamentos disponíveis para a prestação de cuidados de saúde, para não sermos surpreendidos com encerramentos súbitos, e aí assentaria o plano local de saúde», notou.

Por outro lado, observou, tendo em conta os índices e causas de mortalidade no ACES do Médio Tejo, foi aprovado um plano de ação preventiva para sobre doenças oncológicas, obesidade e sistema circulatório.

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