Empresas farmacêuticas não cumpriram compromisso de produção da vacina com a UE 202

As grandes empresas farmacêuticas não cumpriram o compromisso com a União Europeia de produzir e garantir a distribuição de vacinas contra a covid-19, para “chegarem ao mundo inteiro”, sem necessidade de “medidas extraordinárias”.

De acordo com um relatório da Corporate Europe Observatory (CEO), a Federação Europeia das Indústrias Farmacêuticas (EFPIA) prometeu garantir uma distribuição “justa” das vacinas sem a necessidade de tomar “medidas extraordinárias”, como o levantamento de patentes, em reuniões que manteve com a Comissão União Europeia (CE) em dezembro de 2020.

As reuniões ocorreram antes da aprovação das vacinas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), diz a CEO, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos cujo objetivo é “expor os efeitos do ‘lobby’ corporativo na formulação de políticas da União Europeia”.

Segundo o CEO, a EFPIA afirmou: “Está tudo em boas mãos, vamos fazer com que as vacinas cheguem a todo o mundo, não há necessidade de medidas extraordinárias. Confie em nós”.

O responsável pelo relatório do CEO, Kenneth Haar, disse à agência de notícias espanhola Efe que existe um “contraste muito forte entre as afirmações e a realidade”, visto que apenas três países (Estados Unidos, Israel e Reino Unido) vacinaram grande parte da sua população.

Kenneth Haar disse que “quase metade dos países do mundo não terá um programa de vacinação eficaz por dois anos” devido ao atual “problema de capacidade de produção” de vacinas.

No relatório, o CEO afirma ser a favor da expansão da fabricação do antídoto por meio de “troca de tecnologia”, pois, caso contrário a pandemia continuará.

Para o CEO, o problema de abastecimento reside no “desinteresse em constituir capacidade adicional de produção”, que decorre “dos privilégios concedidos às empresas farmacêuticas pelas regras dos direitos de propriedade intelectual”.

Kenneth Haar enfatizou que existem várias empresas em todo mundo que poderiam produzir para conter a crise de saúde “se houvesse uma verdadeira vontade de compartilhar tecnologia”.

“Colocamo-nos numa situação em que o nosso destino é decidido por algumas empresas privadas. E isso, quer dizer, não é sustentável”, afirmou.

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