Empresa que comercializa Calcitrin apresenta queixa-crime contra OF 596

19 de Fevereiro de 2016

A empresa que comercializa o suplemento alimentar Calcitrin anunciou ontem ter apresentado uma queixa-crime contra o antigo bastonário, Carlos Maurício Barbosa, e contra a Ordem dos Farmacêuticos (OF), por «ofensa a pessoa coletiva».

A queixa fundamenta-se, diz a empresa em comunicado, numa «inédita campanha mediática» com «declarações ofensivas» que causaram prejuízos.

A empresa, Viva Melhor, apresentou também uma denúncia por concorrência desleal na Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), igualmente contra a Ordem dos Farmacêuticos e o anterior bastonário (a Ordem tem desde quarta-feira Ana Paula Martins como bastonária), considerando que foram feitas afirmações para desacreditar um concorrente.

E diz que a «operação mediática» contra o suplemento resultou numa perda de reputação e desconsideração «que terá de ser reparada com enormes custos de recursos e de tempo», citou a “Lusa”.

Há dois meses, a 18 de dezembro, a OF entregou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários do suplemento Calcitrin MD Rapid, alegando que lesavam o direito dos cidadãos à saúde e que as afirmações na publicidade não tinham «qualquer base científica».

Na mesma altura, o INFARMED recomendou que não fossem utilizados produtos contendo cálcio para a prevenção ou tratamento de doenças, acrescentando que estavam a decorrer ações de fiscalização dos produtos no mercado. A empresa Viva Melhor disponibilizou-se para corrigir o que se provasse ser inadequado.

A 20 de dezembro as Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos apelaram ao Ministério da Saúde para que interviesse para regular a publicidade de suplementos alimentares e produtos considerados dietéticos, afirmando que uma quantidade elevada de cálcio ou vitamina D poderá ser prejudicial à saúde em muitos indivíduos.

Já este ano a OF apelou à «intervenção direta» do ministro da Saúde para travar a publicidade do Calcitrin, com a empresa a lançar suspeitas de que a “guerra” da Ordem teria a intenção de prejudicar a marca para beneficiar outras, o que levou a OF a anunciar uma queixa-crime por difamação.

No comunicado ontem divulgado, a empresa acusa o antigo bastonário de não dizer a verdade sobre o suplemento, que «tem um efeito benéfico avaliado pela Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos» e que se apresenta «em conformidade com a lei», é «absolutamente seguro e não tem registo de qualquer reclamação».

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