A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou hoje que há progressos “promissores” nos ensaios clínicos de tratamentos e vacinas contra o vírus Ébola Bundibugyo, responsável pela epidemia na República Democrática do Congo (RDCongo).
O Grupo Consultivo Técnico que analisa os testes reuniu-se em 31 de julho e deverá publicar recomendações no final desta semana, adiantou numa conferência de imprensa o responsável interino pela investigação e desenvolvimento da OMS, Vasee Morthy.
O especialista recordou que, até ao momento, não existem tratamentos nem vacinas cuja segurança e eficácia tenham sido demonstradas para a variante Bundibugyo do vírus.
No que diz respeito aos tratamentos, os ensaios clínicos começaram em três centros da província congolesa de Ituri, uma das mais afetadas, com mais de 50 doentes.
Participam nos testes a OMS e organizações como os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Aliança para a Ação Médica Internacional (ALIMA).
Quanto às vacinas, a primeira desenvolvida especificamente contra a variante Bundibugyo, pela Universidade de Oxford e pelo Serum Institute of India, começou a ser testada em humanos no Reino Unido, em 24 de julho.
A Moderna deverá iniciar esta semana, no Canadá, os ensaios da sua vacina experimental. Estes ensaios foram realizados depois das vacinas terem sido testadas em animais, como furões ou primatas, indicou.
Por outro lado, acrescentou, está a ser analisado se a vacina Ervebo, eficaz contra uma outra variante do Ébola, a Zaire, também proporciona proteção contra o tipo Bundibugyo.
A OMS não participa diretamente nestes testes, que estão a cargo do Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo, em conjunto com um consórcio internacional, explicou Moorthy.
A atual epidemia de Ébola na RDCongo já matou mais de 1.700 pessoas no leste do país, segundo os dados governamentais hoje anunciados.
Até ao momento, de acordo com a Lusa, foram registados 3.802 casos, com 1.707 mortes, segundo a atualização mais recente do Governo desta nação vizinha de Angola.
Ainda não é claro quando a epidemia atingirá o seu pico, afirmou também hoje o diretor-geral da agência de saúde pública da União Africa, o Africa CDC, Jean Kaseya, durante a sua segunda visita à cidade de Búnia, perto do epicentro da epidemia.
Kaseya alertou que quase 80% dos novos casos não resultam do rastreio de contactos, mas sim da transmissão comunitária.
Também o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegará hoje à capital congolesa, Kinshasa, e deverá visitar Búnia ainda esta semana.
A epidemia, declarada a 15 de maio, foi associado ao vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados.




