Covid-19 teve «impacto devastador» na luta contra a SIDA, tuberculose e malária 192

A covid-19 teve um “impacto devastador” na luta contra a SIDA, a malária e a tuberculose, que sofreu um retrocesso sem precedentes, salientou o Fundo Global, no relatório anual divulgado esta quarta-feira.

Pela primeira vez, desde 2002, o Fundo Global de Luta Contra a SIDA, Tuberculose e Malária relata recuos, como a redução significativa dos serviços de despistagem e de prevenção do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) nas populações vulneráveis.

Além disso, verificou-se uma queda acentuada no número de pessoas testadas e tratadas contra a tuberculose, com um especial impacto nos programas de combate à tuberculose resistente à medicação.

Sobre os números do ano passado, o diretor executivo do Fundo Global, Peter Sands, confirmou que os efeitos provocados pela covid-19 foram negativos.

“O impacto da covid-19 tem sido devastador. Pela primeira vez na nossa história, os nossos indicadores-chave estão a retroceder”, acrescentou Peter Sands, citado no relatório.

Segundo o relatório, a pandemia teve consequências grave na luta contra a tuberculose. Em 2020, o número de pessoas tratadas para a tuberculose resistente aos medicamentos diminuiu 19%.

O impacto do vírus SARS-CoV-2 no combate à SIDA também foi significativo. Embora o número de pessoas seropositivas que receberam tratamento tenha aumentado 9% em 2020, houve uma redução muito significativa nos serviços de prevenção e testagem para as pessoas fragilizadas.

Aliás, o número de pessoas abrangidas por programas de prevenção da SIDA diminuiu 11% em 2020, conforme indica o relatório do Fundo Global. O número de tratamentos fornecidos às mães, para evitar que os seus bebés contraiam o vírus, também caiu 4,5% no ano passado.

A nível global, os testes à SIDA diminuíram cerca de 22%, o que atrasou o início do tratamento das pessoas seropositivas na maioria dos países.

Até agora, segundo o mesmo relatório, os programas contra o paludismo parecem ter sido os menos afetados novo coronavírus. A quantidade de redes mosquiteiras distribuídas aumentou cerca de 17% em 2020.

Em sentido inverso, as pessoas rastreadas por suspeitas de terem contraído a malária diminuíram 4,3% em 2020. Além desta redução, o Fundo Global lamenta a estagnação do processo para a contenção da doença.

Para saber mais informações, pode consultar o relatório aqui. 

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