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Aumento de capital dos hospitais permite pagamento de dívidas

22 de dezembro de 2014

A presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Marta Temido, considerou hoje que o aumento de capital dos hospitais públicos em mais 450 milhões de euros vai permitir o pagamento de algumas dívidas em atraso aos fornecedores.

Marta Temido comentava assim à agência “Lusa” o despacho assinado na sexta-feira pelos Ministérios da Saúde e das Finanças, de aumento de capital dos hospitais públicos “de norte a sul” do país e que envolve mais de 450 milhões de euros (não relacionados com as verbas do Orçamento do Estado). As verbas começam a ser disponibilizadas ainda este ano.

«Esta notícia é muito bem recebida, muito bem acolhida (…). Este reforço vai permitir retirar alguns hospitais da falência técnica e por outro lado vai permitir pagar dívidas em atraso», disse à “Lusa” a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Marta Temido lembrou que o reforço vai permitir pagar dívidas vencidas ainda este ano, nomeadamente ao grande credor que é a indústria farmacêutica.

«A verba vai permitir encerrar o exercício económico de uma forma mais limpa. Só à indústria farmacêutica estamos a falar de dívidas de mais mil milhões de euros até agosto deste ano e prazos de pagamentos que ultrapassam um ano», adiantou.

Apesar de a notícia ser bem-vinda, a responsável considerou que a grande questão mantém-se: como evitar em 2015 acumulação de nova divida vencida.

«Enquanto presidente da APAH, já comentei esta notícia no ano passado. A questão é como é que para o ano não vamos estar a comentar esta notícia novamente. Que reestruturação, que reorganizações, que eficiências estão a ser trazidas para as estruturas hospitalares de forma a evitar que periodicamente haja necessidade de injetar dinheiros públicos», disse.

Na opinião de Marta Temido, é necessária «coragem política e envolver todos os agentes do Serviço Nacional de Saúde para fazer uma reorganização que permita mantê-lo (SNS) nos seus princípios constitucionais».

«Devemos dotar o SNS de estruturas que permitam responder às necessidades das populações, que se alteraram radicalmente», concluiu.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse ontem à “Lusa” que a verba vai permitir «uma mudança radical na Saúde em termos de equilíbrio dos hospitais e da possibilidade de fazerem novas encomendas, de fazer face à lei dos compromissos e da sua postura perante os fornecedores».

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