A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta os doentes com diabetes que caso o medicamento genérico não esteja disponível e optem por comprar a versão de marca, podem acabar por pagar muito mais.
Desde o início deste mês que os medicamentos com dapagliflozina (10 mg) passaram a estar abrangidos pelo Sistema de Preços de Referência (conjunto de medicamentos com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, forma farmacêutica, dosagem e via de administração, e que inclui pelo menos um medicamento genérico disponível no mercado), embora mantenham uma comparticipação de 90% no regime aplicável à diabetes.
Se o medicamento dispensado na farmácia tiver um preço superior ao valor de referência, o doente terá de suportar a diferença. “Um medicamento que custava quatro ou cinco euros pode passar a custar cerca de 40 euros”, afirma José Boavida, presidente da APDP, ao jornal Público, acrescentando que “é importante evitar que esta situação venha a prejudicar as pessoas”, diz. “Espero que o Infarmed tenha garantido que haja capacidade de reposição de genéricos para não obrigar as pessoas a pagar este preço elevadíssimo”.
A Associação de Utentes de Medicamentos Genéricos também já tinha alertado, em comunicado, que os novos genéricos de dapagliflozina são “cerca de 50% mais baratos para os doentes” e apelou aos médicos para que os prescrevam, em vez de encaminharem a receita para outros fármacos que ainda não tenham versão genérica – como a empagliflozina.
Associação de utentes apela a médicos para que receitem novos genéricos para diabetes
A dapagliflozina, segundo José Boavida, estava entre os medicamentos que representavam uma maior despesa para o Estado, apesar de o encargo suportado pelos doentes ser reduzido devido à elevada comparticipação. Para a APDP, trata-se de um medicamento de que muitos doentes “não podem prescindir”, não apenas pelo controlo da glicemia, mas também pelos seus efeitos na proteção renal e cardiovascular e na redução do risco de internamento.




