Um quinto dos doentes com cancro ainda esperou mais de 2 meses por cirurgia 0 78

16 de Outubro de 2015

No ano passado entraram em lista de espera para ser operados a um tumor mais de 50 mil doentes. O maior número desde 2006, de acordo com os dados do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia. Apesar das melhorias em relação ao ano anterior, em 2014 um quinto dos doentes inscritos nesta lista aguardavam pela operação há dois meses, o tempo máximo de resposta garantido. 

 

Cancros da próstata, da cabeça e do pescoço e carcinoma do útero eram os que tinham maior mediana de tempo de espera e a maior percentagem de doentes a aguardar acima do recomendado.

 

Segundo o relatório, em 2014 foram operados 44.865 doentes, um acréscimo em relação ao ano anterior e mais 65% do que em 2006. No final do ano perto de quatro mil ainda esperavam pela operação. 

 

A mediana de tempo de espera manteve-se semelhante à de anos anteriores (28 dias) e o número de doentes que aguardavam mais do que o recomendado diminuiu, passando de um quarto para um quinto. O cancro da próstata continua a ter a pior mediana de tempo de espera (33 dias) e o maior número de doentes fora do tempo máximo de resposta garantido (30%). No final de 2014 estavam 248 doentes em lista. Olhando para os dados do primeiro semestre de 2015, esta foi a realidade que se manteve. Já nos casos de cancro da cabeça e pescoço e carcinoma do útero parece ter havido melhorias.

 

A próstata, a par do cancro da mama, faz parte da lista de cirurgias contempladas na verba adicional de 22 milhões de euros que os hospitais tiveram à disposição para aumentar a produção nos últimos seis meses do ano. O objetivo era fundamentalmente diminuir o número de inscritos em lista, assim como reduzir os doentes que estão há mais de dois meses à espera. Segundo o relatório, em 2014 «um em cada dez utentes espera mais de 71 dias pela sua cirurgia». No primeiro semestre de 2015 era de 64 dias.

 

Nuno Miranda, coordenador do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, explicou ao “DN” que o número de entradas na lista é normal, assim como o seu crescimento. «A população está mais idosa e os estilos de vida mais sedentários são fatores associados ao surgimento de cancro», disse ao DN. Embora não conheça o relatório, o responsável refere que ter uma mediana de tempo de espera de 28 dias «é muito bom porque nos coloca muito longe da luz vermelha. Significa que estamos a ser mais equitativos e mais justos na administração de cuidados». Quanto aos tempos de espera em algumas áreas, Nuno Miranda adianta que as que mais o preocupam são o cancro da mama, do pescoço e da cabeça e do colo retal.

 

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