ONG: Portugal começou tarde a responder ao surto de hepatite A 0 88

ONG: Portugal começou tarde a responder ao surto de hepatite A

 


30 de março de 2017

A organização não-governamental Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) considera que Portugal começou tarde a responder ao surto de hepatite A, afirmando que os primeiros casos foram detetados pelos médicos nas urgências em janeiro.

Segundo o médico do GAT Diogo Medina, o grupo de ativistas, que trabalha na sensibilização para as questões relacionadas com o VIH/sida, foi pela primeira vez informado pelos médicos de uma deteção anormalmente elevada de casos de hepatite A em janeiro deste ano.

«O surto epidémico em Portugal é o mais grave, em números, da Europa ocidental, muito superior ao surto em Espanha, Holanda e em outros países», afirmou, citado pela “Lusa”.

Segundo a Direção Geral da Saúde (DGS) de 1 de janeiro a 29 de março de 2017 foram notificados 115 casos de hepatite A (dos quais, 107 confirmados laboratorialmente) e 58 doentes foram hospitalizados.

Do total, 97% são adultos jovens do sexo masculino, principalmente residentes da área de Lisboa e Vale do Tejo.

Em comparação com Portugal, Espanha tem menos casos (72), o que Diogo Medina atribui a uma resposta mais rápida das autoridades de saúde que, «assim que tiveram conhecimento do surto começaram a vacinar as pessoas» de risco.

Segundo a própria DGS, esta infeção pode ser assintomática, o que o médico do GAT considera que traz um problema adicional, pois «cerca de 30% das pessoas que entraram em contacto com o vírus não vão ter a doença», mas podem transmiti-la.

A solução passa, segundo Diogo Medina, por vacinar as pessoas em maior risco de adquirir a hepatite A.

Segundo uma orientação da DGS, para a qual o GAT foi ouvido, estão em maior risco homens que fazem sexo com homens com os seguintes comportamentos: sexo anal (com ou sem preservativo), sexo oro-anal, sexo anónimo com múltiplos parceiros, sexo praticado em saunas e clubes e encontros sexuais combinados através de aplicações tecnológicas.

«O médico assistente, através de prescrição médica, pode recomendar a vacinação das pessoas nas circunstâncias referidas», refere o documento.

São também pessoas em maior risco quem se desloque para áreas endémicas, como Ásia, África, América Central e do Sul sem ter a vacina.

Existem atualmente três estirpes deste vírus a circular na Europa. A estirpe identificada em Portugal teve origem na América do Sul, entrando na Europa por Espanha através de viajantes não vacinados e que contactaram com o vírus naquele continente.

Uma outra começou em Taiwan e chegou à Europa pela Holanda e uma outra estirpe foi detetada na Alemanha, com origem ainda por conhecer.

Em Portugal, os primeiros casos deste surto foram detetados em dezembro, com os primeiros sintomas a terem começado em novembro de 2016.

Diogo Medina disse não compreender como as autoridades de saúde só em março tomaram medidas, como a orientação dirigida aos profissionais de saúde na quarta-feira, uma vez que os médicos começaram a informar o GAT em janeiro.

Para travar o surto, Diogo Medina defende a vacinação de todas as pessoas em maior risco de adquirir a hepatite A, mostrando preocupação com o número de vacinas disponíveis.

Apesar de reconhecer que as vacinas ainda não estão esgotadas, são vários os casos de doentes que regressam ao GAT sem terem conseguido encontrar a vacina prescrita pelo médico nas farmácias a que se dirigiram, disse.

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