O aparelho auditivo que aprende a ouvir por si: quatro formas como a IA está a mudar a audição

Ouvir uma conversa num café cheio ou acompanhar uma história à mesa do jantar parece simples para muitas pessoas. Para quem vive com perda auditiva, estas situações do dia a dia podem exigir mais esforço. O problema é mais comum do que se imagina.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 430 milhões de pessoas precisam atualmente de reabilitação auditiva. Até 2050, estima-se que esse número ultrapasse os 700 milhões, o equivalente a uma em cada dez pessoas¹. Só entre jovens adultos, mais de mil milhões estão em risco de perda auditiva permanente por hábitos de escuta pouco seguros¹. Perante esta realidade, a tecnologia tem vindo a ganhar um papel cada vez mais relevante na forma como a perda auditiva é acompanhada e compensada.

Nos aparelhos auditivos, esse avanço é particularmente visível na integração da IA. Um aparelho auditivo tradicional amplifica o som e aplica filtros de redução de ruído. Os modelos com IA funcionam de forma diferente: utilizam redes neuronais profundas, treinadas com milhões de amostras sonoras recolhidas em situações reais, para identificar padrões e ajustar o som às circunstâncias em que a pessoa se encontra². Assim, quando alguém passa de um ambiente silencioso para um restaurante movimentado, por exemplo, o aparelho reconhece a mudança e recalibra automaticamente o processamento do som para melhorar a inteligibilidade da conversa².

Este funcionamento traduz-se em benefícios que vão além da adaptação automática. Ao reduzir a necessidade de filtrar continuamente o ruído, estes dispositivos podem tornar a escuta menos cansativa². A clareza nas conversas também pode melhorar: alguns estudos apontam para ganhos de até 19% no reconhecimento de frases em contextos ruidosos². Evidências recentes sugerem ainda que o uso consistente de aparelhos auditivos durante dois a quatro meses pode contribuir para melhorias na memória de trabalho². Com o tempo, o aparelho passa também a registar as preferências do utilizador e a aplicá-las de forma autónoma em situações semelhantes².

De forma geral, a IA está a transformar os aparelhos auditivos em quatro áreas principais:
1. Automatização inteligente: o volume e os programas podem ser ajustados sem intervenção direta do utilizador, de acordo com as condições de escuta²;
2. Compreensão da fala em ambientes com ruído: a IA ajuda a destacar as vozes e a reduzir o ruído de fundo, mesmo quando há várias fontes sonoras em simultâneo²;
3. Ligação ao smartphone: chamadas, música e ajustes podem ser geridos remotamente através de uma aplicação²;
4. Monitorização de saúde: alguns modelos já incluem deteção de quedas e monitorização da atividade física; estudos piloto indicam resultados promissores na fiabilidade desta identificação².

“Hoje, os aparelhos auditivos têm a capacidade de acompanhar as preferências de quem o usa e evolui com elas. Estamos cada vez mais perto de soluções altamente personalizadas, e é a inteligência artificial que está a tornar isso possível”, afirma João Ferrão, diretor de audiologia na Widex.

Para quem vive com perda auditiva, esta evolução pode traduzir-se em menos esforço no dia a dia e maior confiança em conversas, reuniões ou momentos em família. Por isso, não espere pelos sinais. Faça um teste auditivo online gratuito em https://www.widex.pt/teste-auditivo-online/ e consulte um especialista para uma avaliação completa.

Referências
1. Organização Mundial da Saúde. (2026). Deafness and Hearing Loss — Fact Sheet. Disponível em: www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/deafness-and-hearing-loss. [Consultado em julho].

2. Widex. Aparelhos Auditivos com Inteligência Artificial: Como a IA Melhora a Audição em Tempo Real. Disponível em: www.widex.pt/blog/aparelhos-auditivos-com-inteligencia-artificial. [Consultado em julho].