Uma equipa liderada pelos investigadores João Brandão e Elisabete Valério, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), divulgou um estudo pioneiro que estabelece valores de segurança para a presença de antifúngicos no ambiente. Com este estudo, os investigadores indicam um limiar máximo que deverá ser tido em conta pelas autoridades, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de resistências a antifúngicos por parte de fungos com capacidade infeciosa. Na sequência deste trabalho, a equipa de investigadores enviou um conjunto de recomendações para a Organização Mundial de Saúde e a Comissão Europeia.
O trabalho, publicado na revista científica Frontiers in Toxicology, define as chamadas Concentrações Previstas Sem Efeito (PNEC, do inglês predicted no-effect concentrations). Estas funcionam como uma “linha vermelha” para evitar que os fungos presentes no ambiente desenvolvam resistência aos antifúngicos utilizados em diferentes contextos e sectores da sociedade.
A investigação, como explicado em comunicado, alerta que os antifúngicos usados em medicamentos, na agricultura e em produtos de higiene, como champôs e sabonetes, estão a ser encaminhados para rios e solos em quantidades preocupantes. Os antifúngicos usados na agricultura podem contaminar diretamente o ambiente e as fontes naturais de água. Já os utilizados em casa, por exemplo no tratamento de infeções como o pé de atleta, ou em contexto hospitalar, não são libertados diretamente no ambiente, mas acabam por chegar às Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) através das águas residuais domésticas e hospitalares.




