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Hospitais com gestão privada responsáveis por 58% da subida de cirurgias em 2013

03-Fev-2014

Hospitais periféricos estão a operar menos. Queda na produção pode ser devida a novas regras de pagamento a médicos externos.

Os quatro hospitais do SNS geridos em parceria-público privada (PPP) foram responsáveis por mais de metade do aumento de cirurgias que se verificou em 2013. De acordo com os dados provisórios da Administração Central do Sistema de Saúde, as unidades de Braga, Loures, Cascais e Vila Franca de Xira fizeram em conjunto mais 8.682 operações programadas do que em 2012 quando, no global, o SNS realizou mais 14.903 operações, indicou o “i”.

Os dados, para já disponíveis apenas para os hospitais, mostram um aumento de atividade em todas as áreas à exceção dos internamentos. Ainda assim, a análise individual das unidades revela assimetrias. O caso das cirurgias, onde as PPP contribuem com 58% da subida de operações, é um exemplo.

Apesar de a maioria das unidades registar aumentos no número de doentes operados, houve 18 hospitais (um terço) a operar menos. Se as maiores subidas surgem nas PPP de Lisboa, onde há quebras na casa dos 10% em unidades como Santa Maria ou Amadora-Sintra, as descidas mais expressivas verificaram-se em hospitais de periferia. O Hospital da Anadia fez menos 41,7% operações, seguindo-se o da Figueira da Foz (-22,4%), o de Ovar (-16%) e o de Cantanhede (-15,8%).

Marta Temido, presidente da Associação Portuguesa de Gestores Hospitalares e gestora no Hospital de Cantanhede, justifica a quebra com uma mudança nas regras de pagamento nos hospitais, que deixaram de poder pagar as operações ao ato para seguir o preço hora tabelado em 2011 pela tutela (30 euros para médicos especialistas).

«Foi uma mudança positiva em termos de controlo da despesa, mas hospitais mais periféricos, onde os quadros nunca conseguiram fixar muitos médicos e existe maior dependência de prestadores de serviço, fez cair a produção», diz Temido, que admite como consequência a sobrecarga dos hospitais diferenciados do SNS.

E nestes, ao contrário do que aconteceu com a abertura de unidades PPP e negociação de mais valências, os contratos de atividade têm visado mais a consolidação do que o aumento da resposta, explica. Possivelmente haverá mais tempo de espera, admite, mas esses dados não estão disponíveis.

Em matéria de consultas, repetem-se as assimetrias. No global, os hospitais do SNS registaram mais 386 mil atendimentos mas há 11 unidades onde as consultas diminuíram.

O decréscimo é maior nos hospitais menos diferenciados mas verificou-se também nos IPO do Porto e Coimbra. Há também indícios de mais demora na resposta em 14 hospitais onde baixou a percentagem de doentes atendidos em tempo considerado adequado, indicador onde há grandes assimetrias: há 11 unidades onde mais de 90% dos utentes tiveram acesso a consulta dentro dos prazos legais mas há outras onde só metade viu satisfeito esse direito.

Embora tenham continuado abaixo do que se verificava em 2011, as idas às urgências aumentaram e voltou a subir a percentagem de utentes com pulseiras verdes ou azuis, que tinha baixado de 45% para 41,4% em 2011. Em 2013, 42% dos utentes atendidos nas urgências foram triados como casos não urgentes.

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