Covid-19: Erro levanta questões sobre testes com vacina da AstraZeneca/Oxford 382

A AstraZeneca e a Universidade de Oxford emitiram um comunicado, onde reconhecem um erro que está a levantar questões sobre os resultados preliminares e a eficácia da sua vacina experimental contra a covid-19.

Este comunicado, onde é reconhecido o erro, surge dias depois da empresa e a universidade terem descrito a vacina como “altamente eficaz”.

Este erro tem a ver com a razão pela qual alguns participantes nos ensaios clínicos não terem recebido a mesma quantidade de vacina na primeira das duas injeção, tal como era esperado

Pelos vistos, o grupo de voluntários que recebeu uma dose menor parecia estar muito mais protegido do que os voluntários que receberam duas doses completas.

Já a Universidade de Oxford explicou que alguns dos frascos usados no teste não tinham a concentração certa de vacina, o que significa que alguns voluntários receberam meia dose.

De acordo com a Universidade, o problema foi discutido com os reguladores que concordaram em concluir o teste. O problema de fabrico foi corrigido, indica a nota divulgada.

Segundo a AstraZeneca, no grupo de dose baixa, a vacina parece ter uma eficácia de 90%, enquanto que no grupo que recebeu duas doses completas a eficácia parece ser de 62%.

Com estes resultados combinados, a vacina parece ter uma eficácia de 70%, mas a forma como estes foram obtidos levantou questões por parte de especialistas.

Os resultados parciais anunciados resultam de ensaios clínicos que estão em andamento no Reino Unido e no Brasil projetados para determinar a dose ideal da vacina, bem como examinar a segurança e eficácia.

Antes do arranque dos ensaios, os investigadores explicaram todas as etapas a seguir e a forma de analisar os resultados. Qualquer desvio deste protocolo pode colocar em causa os resultados.

A AstraZeneca indicou que foram cerca de 2.741 as pessoas que receberam meia dose da vacina seguida de uma dose completa, sendo que um total de 8.895 pessoas receberam as duas doses completas.

Para os especialistas, o número relativamente baixo de pessoas no grupo de dose reduzida torna difícil de perceber se a eficácia observada no grupo é real ou uma particularidade estatística.

Outro situação que é colocada em causa é o facto de nenhum dos participantes do grupo de dose reduzida ter mais de 55 anos, sendo que as pessoas mais jovens tendem a apresentar uma resposta imunológica mais forte do que as pessoas mais velhas.

Os detalhes dos resultados dos ensaios clínicos serão publicados em jornais médicos e fornecidos aos reguladores no Reino Unido, que irão decidir a autorização para a comercialização da vacina.

Estes relatórios incluirão uma análise detalhada com informações demográficas ou informações sobre quem ficou doente em cada grupo, que permitirão apresentar um quadro mais completo sobre a eficácia da vacina.

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