Competências Farmacêuticas: uma oportunidade de diferenciação e valorização profissional 517

Decorreram no passado fim-de-semana, dias 25 e 26 de setembro, as comemorações do Dia Nacional do Farmacêutico. Assisti, com agrado, ao discurso da Ministra da Saúde, que no trecho que tomo a liberdade de transcrever, aborda sumariamente as exigências da prática profissional presente e futura.

“O papel assumido hoje pelo farmacêutico nas suas diversas áreas profissionais, envolve atividades de elevada complexidade técnicas cujos reflexos não se cingem ao bem-estar e à saúde dos doentes. A atividade do farmacêutico, tem também reflexo em aspetos mais transversais do sistema de saúde e que podem contribuir para a sustentabilidade do nosso serviço nacional de saúde.”

Efetivamente, temos uma profissão cada vez mais complexa e transversal e à medida que a profissão farmacêutica evolui, maior é a necessidade e, diria mesmo, urgência, na identificação e caracterização das atividades que cada farmacêutico no seu dia-a-dia desempenha, com posterior reconhecimento de conhecimentos, habilidades, experiência, comportamentos e atitudes por parte de profissionais, academias e reguladores da atividade farmacêutica, e da saúde. Refiro-me, como depreenderão, às competências farmacêuticas.

Competência, de acordo com o estabelecido no Artigo 1.º do Regulamento para a atribuição de Competências Farmacêuticas, é um título que reconhece a capacidade profissional para o desempenho de uma atividade ou conjunto de atividades relacionadas com um objetivo específico ou com uma área de estudo num determinado enquadramento profissional. Isto é, reconhece o exercício de atividades de natureza complexa e específica. A complexidade destas atividades advêm, naturalmente, das exigências decorrentes da prática farmacêutica e da própria Saúde, nomeadamente, através do aparecimento e evolução de áreas de atividade, da modernização científica e tecnológica e do aparecimento de novos paradigmas.

A criação de Competências Farmacêuticas é uma oportunidade para os Farmacêuticos se diferenciarem em determinadas atividades e áreas específicas, que urge trabalhar e implementar.

As Competências Farmacêuticas representam o espírito dos farmacêuticos, de dedicação ao cidadão e ao sistema de saúde. São uma resposta necessária para o garante da qualidade e segurança dos serviços prestados pelos farmacêuticos, em particular nas atividades assistenciais em saúde. Em última instância, podem traduzir-se em oportunidades para a diferenciação e valorização da profissão, das quais decorre, obviamente, a evolução profissional. Merecem, por isso, a atenção e participação de todos os farmacêuticos.

Célia Alves da Silva
Farmacêutica

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