Cientistas portugueses criam tubo guia biodegradável para regeneração de nervo periférico 0 308

Um grupo de investigadores desenvolveu um tubo-guia biodegradável para regeneração após lesões de nervos periféricos, sistema «responsável pela função motora e/ou sensorial», anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC) em comunicado.

O projeto inovador, que acaba de vencer um concurso europeu, foi desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), com a colaboração da Faculdade de Engenharia do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, refere uma nota da FCTUC.

«Na Europa, registam-se anualmente 300 mil lesões de nervo periférico causadas, por exemplo, por acidentes rodoviários e laborais, danos tumorais ou infeções virais, representando um importante problema de saúde», afirma a FCTUC, indicando que estas lesões estão «quase sempre associadas a lesões secundárias e, muitas vezes, provocam danos irreversíveis», como a perda de locomoção.

O novo dispositivo, já protegido por patente provisória, distingue-se por ser «biodegradável de forma controlada, produzido integralmente com material aprovado pela FDA e não tóxico e completamente seguro, que cria um microambiente propício à regeneração do nervo, isto é, promove a adesão e proliferação celular», salienta o coordenador do estudo, Jorge Coelho na nota enviada.

«Outra característica importante é o facto de ser um tubo flexível, de dimensão adaptável ao tipo de lesão do nervo», destaca ainda Jorge Coelho, citado pela FCTUC.

Depois de implantado no paciente, o tubo-guia de base polimérica «vai indicar o caminho correto para que as extremidades separadas pela lesão possam juntar-se novamente e retomar a sua função», explicita o investigador e docente do Departamento de Engenharia Química da FCTUC.

Testada em modelos animais (ratinhos), a solução apresentou resultados muito promissores: «o tubo-guia foi implantado em modelos de neurotmese – lesão do nervo ciático, o grau mais severo de lesão de nervo periférico” – e «pós 20 semanas, verificou-se a recuperação total da função motora e sensorial dos animais», sublinha Jorge Coelho.

O tempo estimado para a recuperação em humanos será entre 24 e 30 semanas.

Atualmente, as lesões de nervo periférico são tratadas frequentemente com recurso a autoenxertos, método que, afirma a FCTUC, «apresenta muitas desvantagens, como a resistência a sutura e sacrifício de um nervo saudável».

Este projeto acaba de vencer a final do concurso europeu PhD transition fellowships, promovido programa EIT Health, através da tese de doutoramento realizada por Catarina Pinho.

Intitulado “Polymeric Nerve Guide Tubes for Peripheral Nerve Regeneration”, o trabalho derrotou as propostas apresentadas pelas universidades de Oxford (Inglaterra), Sorbonne e Grenobla Alpes (França), e pelo Instituto Karolinska, da Suécia, salienta a FCTUC.

«Validado o conceito e concluídos com sucesso os ensaios in vivo, os investigadores ponderam agora constituir uma startup empresa da Universidade de Coimbra, tendo em vista a realização dos estudos necessários conducentes à comercialização do produto», conclui a FCTUC.

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