BE preocupado com sobrelotação de urgências propõe criação de urgências básicas 0 147

BE preocupado com sobrelotação de urgências propõe criação de urgências básicas

26-Fev-2014

O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo manifestou-se preocupado com a sobrelotação das urgências do Hospital de Santa Maria e propõe a criação de novos serviços de urgência básica.

Esta preocupação foi manifestada por João Semedo aos jornalistas no final de uma reunião com o presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria, Carlos Martins.

Considerando que o serviço de urgências é o “calcanhar de Aquiles” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com equipas de poucos profissionais, o deputado de BE propõe que «onde há urgências polivalentes haja também urgências básicas para atender pessoas com situações menos urgentes e assim libertar as urgências hospitalares», citou a “Lusa”.

O Hospital de Santa Maria é o exemplo de um «hospital sobrecarregado de doentes que poderiam ir a outros serviços», considerou o líder do BE, partido que na sexta-feira leva a discussão plenária um projeto de lei no sentido de instalar urgência básica nos centros urbanos onde a única resposta seja a urgência polivalente ou médico-cirurgica.

Questionado sobre se o Hospital de Santa Maria está a «recusar» atender doentes com consulta marcada, o presidente do conselho de administração negou categoricamente.

A comunicação social noticiou que os grandes hospitais – como São João, no Porto, e de Santa Maria e S. José, em Lisboa, estão a recusar doentes fora da área de residência por falta de recursos.

«Não recusamos doentes alguns, primamos pela capacidade de resposta», afirmou explicando: «fizemos uma reorganização primando pela melhoria de acesso aos nossos serviços, transferindo doentes em lista de espera».

Para Carlos Martins «não faz sentido» um doente de Faro, por exemplo, vir a Lisboa, quando pode ter resposta em tempo na sua área de residência.

«Temos doentes de todo o país e nunca nos passou pela cabeça encaminhá-los para outro lado, dada a complexidade da sua patologia», mas há outros casos em que a orientação clínica é para devolver o doente ao seu médico de família ou encaminhá-lo para a sua área de residência.

Em causa não estão questões financeiras, como fez questão de sublinhar, mas apenas «fazer mais e melhor com menos».

Prova disso são os indicadores de 2013 relativos àquele hospital, que aumentou a produção, diminuiu os tempos de espera nas urgências, aumentou as receitas e diminuiu as despesas, frisou o responsável.

Confrontado com estes dados, João Semedo não falou especificamente dos resultados do Hospital de Santa Maria, mas lembrou que o programa do Governo defende do «direito de escolha», mas «quando trata dos hospitais empurrarem a despesa de uns para os outros, o Governo fecha os olhos».

A propósito assinalou que «até no congresso do PSD se ouviram críticas ao ministro Paulo Macedo e à sua política para a Saúde».

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