Vacinação dos Estudantes de Saúde em Estágios de risco contra a COVID-19 372

A pandemia de COVID-19 tem, desde março do ano passado, controlado as nossas vidas de uma forma nunca antes vista. Foi no dia 11 de março de 2020 que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2 como uma pandemia devido aos ‘‘níveis alarmantes de propagação e inação’’.

Desde então, o vírus tem condicionado as ações diárias de toda a população, obrigando milhares de cidadãos a assegurar as suas obrigações enquanto trabalhadores a partir das suas casas e evitando que famílias se pudessem juntar, a um domingo, para o habitual almoço.

Apesar de se revelarem tempos difíceis para todos, é unânime que a luta contra esta entidade biológica invisível tem sido desgastante e marcante para os profissionais de saúde que, desde o primeiro momento, nunca abandonaram a linha da frente. Farmacêuticos, médicos, enfermeiros, auxiliares de ação médica e os demais profissionais de saúde têm vivido os seus dias comandados por um vírus que tarda em abandonar as nossas vidas.

Foi no dia 21 de dezembro que a vacina da BioNTech-Pfizer para a COVID-19 foi aprovada pela Comissão Europeia para os 27 países da União Europeia, nascendo assim uma esperança em todos os cidadãos de que esta pandemia estaria perto de chegar ao fim.

Face a isto, nasceu a preocupação de se garantir o acesso universal, gratuito e facultativo à vacinação definindo, para isso, grupos prioritários por estarem mais vulneráveis à COVID-19, entre os quais, e bem, se incluem os profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados.

No entanto, junto aos profissionais que têm garantido a continuidade dos cuidados de saúde aos doentes COVID e não-COVID, encontram-se cerca de 10 000 estudantes de saúde das mais diversas áreas, a realizar estágios curriculares, por forma a dar continuidade à sua formação enquanto futuros profissionais.

Neste sentido, o Fórum Nacional de Estudantes de Saúde (FNES) e o Conselho Nacional de Juventude (CNJ) têm alertado as entidades reguladoras de saúde e a Task Force do Plano de Vacinação contra a COVID-19 para a necessidade de equiparar os estudantes que se encontram a realizar estágios de risco nos mesmos contextos indicados como prioritários para os profissionais de saúde na Norma 02/2021 da Direção-Geral de Saúde (DGS), por também estes contribuírem para o combate à pandemia e por estarem sujeitos aos mesmos riscos que os respetivos profissionais de saúde.

No entanto, os estudantes encontram-se solidários com a escassez de vacinas em Portugal e importa sublinhar que os mesmos não pretendem ultrapassar os mais vulneráveis no acesso à vacina contra a COVID-19, solicitando apenas que sejam incluídos nos grupos prioritários, pelo facto de realizarem os seus estágios curriculares em ambiente de risco.

Carolina Simão
Presidente da Direção APEF – Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia

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