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Saúde envia delegação a Cuba para recrutar mais 60 médicos
30-Abr-2014

O Ministério da Saúde prepara-se para contratar mais 60 médicos cubanos para integrar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e ajudar a combater a carência de médicos nos cuidados de saúde primários.

Uma equipa constituída por técnicos da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e por membros da Ordem dos Médicos está desde o início da semana em Cuba, para realizar o processo de recrutamento dos clínicos. Ao que o Diário Económico apurou, a maior parte destes profissionais vai integrar unidades locais de saúde, reforçando o número de médicos de família.

«O Ministério da Saúde, com a Ordem dos Médicos, está a avaliar médicos cubanos para substituições de alguns que saíram de Portugal e mais uns novos. O alvo são 60, sendo que 12 são para substituir», confirmou ao “Diário Económico” fonte do gabinete de Paulo Macedo, acrescentando que a tutela não está a «procurar em mais país algum».

De acordo com o Ministério da Saúde, já se encontram a trabalhar em Portugal 23 médicos ao abrigo do acordo de cooperação com Cuba e outros 27 médicos colombianos.

Até aqui, o recrutamento de médicos estrangeiros pelo Governo – sobretudo de países da América Latina – era feito em Portugal. Os clínicos tinham de ser avaliados pela Faculdade de Medicina do Porto e pela Ordem dos Médicos. Se a avaliação fosse negativa, regressariam ao seu país de origem. Desta vez, e para evitar custos acrescidos, são as equipas de examinadores que se deslocam a Cuba onde realizam os testes.

De acordo com os dados mais recentes da ACSS, em 2011 existiam 1.677 médicos estrangeiros a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, na sua maioria espanhóis (655), brasileiros (169) e ucranianos (124).

Foi ainda no Governo de José Sócrates que o Ministério da Saúde começou a recorrer a protocolos com outros países, na maior parte da América Latina, para recrutar médicos para trabalhar em Portugal. A carência de clínicos, sobretudo de médicos de família, agravou-se em 2008 quando se assistiu a uma corrida às reformas antecipadas na sequência do agravamento da penalização das reformas antecipadas. Desde então têm sido tomadas várias medidas para evitar a saída dos médicos do Serviço Nacional de Saúde, inclusive a possibilidade dos clínicos reformados regressarem ao SNS.

Numa altura de fortes restrições nas admissões para a Função Pública, o Ministério da Saúde continua a ter permissão para contratar: no início do mês arrancou um novo concurso para recrutamento de 200 médicos de família.

Paulo Macedo prometeu dar um médico de família a todos os portugueses até ao final da legislatura, em 2015.

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