Mais de 100 milhões de vacinas dadas para recuperar atraso da pandemia 95

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse hoje que mais de 100 milhões de doses de vacinas foram administradas nos últimos três anos, para recuperar o atraso causado à vacinação infantil pela pandemia de covid-19.

A campanha Grande Recuperação, lançada em 2023 e concluída oficialmente a 31 de março, beneficiou cerca de 18,3 milhões de crianças entre 01 e 05 anos de idade em 36 países da Ásia e África, incluindo mais de 12 milhões que nunca tinham recebido qualquer vacina.

“Graças a esta conquista, não só milhões de crianças estão agora protegidas contra doenças evitáveis, mas também as suas comunidades, durante gerações”, disse a diretora executiva da Aliança GAVI para as Vacinas, Sania Nishtar, num comunicado conjunto das agências humanitárias que trabalharam na campanha, a que a Lusa teve acesso.

O “maior esforço internacional alguma vez realizado (…) demonstra o que pode ser alcançado quando os governos, parceiros e comunidades unem forças para proteger os mais vulneráveis”, acrescentou Nishtar.

Os dados finais ainda estão a ser compilados, mas “a iniciativa global parece estar no bom caminho para atingir a sua meta de alcançar pelo menos 21 milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta”, afirmaram as três organizações.

Participaram ainda o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que a campanha “ajudou a reverter uma das principais consequências negativas da pandemia”.

A Grande Recuperação incluiu a administração da vacina contra o sarampo a 15 milhões de crianças que nunca tinham sido vacinadas contra uma doença cuja incidência está a aumentar de forma alarmante em todo o mundo, com 11 milhões de casos projetados para 2024 e três vezes mais países afetados do que há cinco anos.

As agências humanitárias alertaram que os surtos são exacerbados pela queda da confiança na vacinação em alguns países que anteriormente tinham elevadas taxas de cobertura, por vezes alimentada por movimentos antivacinas.

A diretora do departamento de vacinas da OMS, Kate O’Brien, apelou a uma luta contra o ceticismo em relação às vacinas, indicando estar muito preocupada com “a crescente politização das vacinas e da saúde”.

A campanha incluiu ainda a administração de 23 milhões de doses da vacina contra a poliomielite.

Alguns dos países que mais beneficiaram com a campanha foram a Coreia do Norte, a Etiópia, o Quénia, o Paquistão, a Somália, o Níger e a Mauritânia.

A GAVI, a OMS e a UNICEF alertam que, apesar dos esforços, cerca de 14,3 milhões de crianças com menos de 1 ano de idade em todo o mundo não receberam qualquer vacina.