Lisboa, Rio de Janeiro, Macau e Milão querem acelerar aplicação da investigação médica 83

A Universidade de Lisboa (ULisboa) está a liderar a criação de um mestrado, em quatro países, para acelerar a aplicação dos resultados da investigação médica fora do laboratório, disse hoje à Lusa um dirigente.

O diretor da Faculdade de Medicina da ULisboa revelou que o programa de mestrado está na fase de “instalação e criação”, no âmbito do projeto europeu Erasmus Mundus.

Além da ULisboa, o mestrado vai juntar a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) e a Universidade Humanitas, em Milão.

O programa de dois anos “visa criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”, explicou João Eurico Fonseca.

O objetivo é formar “facilitadores da investigação de translação, portanto, de passagem do laboratório para a prática clínica, de investigação clínica, de empreendedorismo, de ligação às empresas”, acrescentou o especialista.

Os alunos vão receber formação em pelo menos três das quatro instituições que irão fazem parte do futuro mestrado, sublinhou o também diretor do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

Fonseca falava no final de uma deslocação a Macau que incluiu uma reunião com a MUST sobre o mestrado, mas também encontros com a Universidade de Macau (UM) sobre a criação da primeira faculdade de medicina pública da região.

A MUST, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, que foi oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

O acordo sobre a Faculdade de Medicina da UM vai ser assinado “na próxima semana, em Lisboa”, pelo reitor da ULisboa, Luís Ferreira, e pelo reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, disse João Eurico Fonseca.

Song Yonghua vai estar integrado na delegação que acompanha o líder do Governo de Macau, que irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse, no final de 2024.

“Estamos mesmo no final de todo este processo em que, na fase de validação, vai participar a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES)”, referiu João Eurico Fonseca.

Os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM, com inauguração previsto para 2028, poderão também obter o reconhecimento da ULisboa e assim exercer em Portugal, confirmou o dirigente.

Mas Fonseca sublinhou que, para isso acontecer, os finalistas da licenciatura em Medicina da UM terão ainda de fazer uma tese para completarem o mestrado integrado da ULisboa.

Em janeiro, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina vai ter quatro mil estudantes, no novo campus da instituição, que está a ser construído na zona económica especial da vizinha Hengqin (ilha da Montanha).