Infeções urinárias: cinco cuidados a ter no verão 414

Catarina Peixinho, do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano, dá cinco conselhos para prevenir e evitar recorrências das infeções do trato urinário.

Em períodos de maior calor, como no verão, as Infeções do Trato Urinário (ITU) nas mulheres parecem ser mais frequentes, sendo a principal causa desta associação a desidratação (seja do suor e respiração), alerta Catarina Peixinho. A especialista explica então que as infeções acontecem quando esta desidratação “não é compensada devidamente pela maior ingestão de líquidos, o que gera menor produção de urina, e mais concentrada”.

A ginecologista chama a atenção para o aumento da humidade na região íntima durante o verão, que fomenta uma maior proliferação de microrganismos. Por isso, as mulheres devem ter “um cuidado redobrado com a hidratação (2 litros de água/dia), bons hábitos de higiene durante as micções, bem como micções mais frequentes, além de um trânsito gastrointestinal regularizado e a preferência pela utilização de roupa íntima de algodão como forma de prevenir as ITU”, continua, em comunicado citado pela Biocodex Microbiota Institute.

Catarina Peixinho, do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano

De acordo com Catarina Peixinho a ITU é uma das infeções bacterianas mais incidentes no adulto. “Considera-se infeção urinária, a presença de bactérias que promovem doença em qualquer parte do sistema urinário (rins, ureteres, bexiga), com exceção da uretra, que poderá ser colonizada com flora normal, como os lactobacilos e as neisserias não patogénicas”. A especialista salienta que os microrganismos podem chegar ao aparelho urinário por via hematogénea ou linfática, mas a via habitual é a ascendente, com origem no reservatório intestinal.

Fatores de risco, pico de incidência, diagnóstico e tratamento

As mulheres têm maior prevalência “devido a fatores fisiológicos, como a maior proximidade da uretra feminina ao ânus e o facto de ser uma uretra muito mais curta do que a masculina”, explica Catarina Peixinho. Acrescenta que, “em mulheres jovens, os maiores fatores de risco para cistite são atividade sexual recente ou frequente, uso frequente de espermicida nonoxinol-9 (presente em alguns preservativos) e antecedente de ITU”. Existem outros fatores como as alterações na flora vaginal devido à gravidez ou menopausa, uso de antibióticos, entre outros.

É difícil determinar em Portugal a incidência real da ITU adquirida na comunidade, mas “estima-se que 50 a 60% apresentará, pelo menos, um episódio ao longo da sua vida”. O pico de incidência de infeções não complicadas do trato urinário baixo em mulheres “observa-se entre os 18 e os 30 anos, coincidindo com a idade de máxima atividade sexual na mulher e idade fértil”.

Catarina Peixinho adianta que “a história clínica é o instrumento mais importante para se fazer o diagnóstico de cistite aguda não complicada e deve ser apoiada por um exame objetivo orientado, podendo associar-se a uma análise de urina”. Os principais sintomas são o aumento da frequência e urgência em urinar, ardor ou dor ardor em cada ida à casa de banho, urina turva e com mau cheiro, dor na região púbica e sangue na urina. A médica sublinha que “a diferenciação entre cistite complicada e não complicada é vital devido aos aspetos relacionados com a evolução clínica e a escolha e duração da antibioterapia”.

Explica que, nos últimos anos, em Portugal, a E. coli tem mostrado elevada resistência às quinolonas e ao cotrimoxazol, o que provavelmente se deve ao elevado consumo destes antibióticos. Por isso, frisa que “há um interesse crescente em métodos alternativos de prevenção das infeções do trato urinário e alternativa aos antibióticos”. Dá como exemplo o consumo de cranberrys, D-manose e o uso de probióticos contendo lactobacilos, que ajudam a restaurar a microbiota vaginal em mulheres com tendência para infeções urinárias.

A especialista deixa cinco conselhos que deve seguir:

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