Farmacêuticos hospitalares europeus preocupados com impacto ambiental de fármacos 0 322

A Associação Europeia dos Farmacêuticos Hospitalares (EAHP) manifestou preocupação com os efeitos negativos que os produtos farmacêuticos no ambiente têm na agricultura, aquacultura, gado e também nos seres humanos.

Num comunicado mencionado numa notícia do site da Ordem dos Farmacêuticos, a EAHP felicita a União Europeia pela adoção de uma nova estratégia para os produtos farmacêuticos no ambiente, divulgada há um mês.

A Associação informa que os padrões para evitar a contaminação ambiental não são executados em todos os locais de produção, especialmente aqueles que ficam situados para além das fronteiras da Europa: «É preciso ter responsabilidade para garantir que os medicamentos e seus componentes distribuídos e utilizados na União Europeia (UE) sejam produzidos sem poluição ambiental evitável», refere o comunicado. A EAHP está crente de que os apoios para a adoção de medidas mais ecológicas e avaliação dos riscos ambientais são um «bom passo na direção certa» e «devem ser prosseguidas de forma oportuna e transparente pela Comissão Europeia (CE)».

«Alguns fármacos não são metabolizados e degradados em substâncias inativas pelos seres humanos ou animais tratados com esses medicamentos. Por exemplo, alguns antimicrobianos (…) podem ser parcialmente excretados inalterados e permanecer farmacologicamente ativos», esclarece a associação, notando ainda que estes «podem induzir e desencadear resistência antimicrobiana em seres humanos e/ou animais, impedindo assim os investimentos nacionais, europeus e globais no desenvolvimento no campo da resistência antimicrobiana».

No comunicado, a EAHP demonstrou o seu apoio à abordagem multi-stakeholder da Comissão Europeia que tem em atenção, por um lado, ao design e à produção de produtos farmacêuticos e, por outro lado, à partilha de melhores práticas entre profissionais de saúde. A associação está confiante de que a concentração de produtos farmacêuticos no meio ambiente pode ser reduzida apenas através de uma cooperação significativa e constante de todos os atores relevantes.

Ainda assim a Associação afirma que falta a esta abordagem da CE o reconhecimento dos malefícios para a segurança dos utentes que advêm da acumulação de produtos farmacêuticos no ambiente. Nesse âmbito, a associação propõe a adoção de medidas que capacitem os profissionais de saúde de primeira linha, como os farmacêuticos hospitalares, médicos e farmacêuticos comunitários, de forma a educarem os outros profissionais de saúde e utentes sobre o impacto dos produtos farmacêuticos no ambiente, tais como os antimicrobianos, hormonas, fármacos citotóxicos e anti-inflamatórios não esteróides. A EAHP solicita ainda à CE e aos governos nacionais que assegurem a formação contínua dos profissionais de saúde, nas melhores práticas relativas à prevenção da contaminação farmacêutica.

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