Falta de novos antibióticos ameaça combate a infeções resistentes 572

Segundo dois novos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o declínio do investimento privado e a falta de inovação no desenvolvimento de novos antibióticos estão a ameaçar os esforços para combater as infeções resistentes a medicamentos.

Os dois novos relatórios (“Agentes antibacterianos no desenvolvimento clínico – uma análise do ‘pipeline’ de desenvolvimento clínico antibacteriano e publicação complementar” e “Agentes antibacterianos no desenvolvimento pré-clínico”) também constataram que a pesquisa e o desenvolvimento de antibióticos são dirigidos principalmente por pequenas ou médias empresas.

Neste momento estão 60 produtos em desenvolvimento (50 antibióticos e 10 biológicos) e pouco benefício trazem sobre os tratamentos existentes e muito poucos têm como alvo as bactérias resistentes mais críticas (bactérias gram-negativas). Aliás, estes ainda se encontram em fase inicial de testes, e ainda levarão anos até chegarem aos doentes. No melhor dos cenários, o relatório aponta para que os dois a cinco primeiros produtos só estejam disponíveis daqui a 10 anos.

Destes 50 antibióticos em desenvolvimento, 32 têm como alvo os patogénicos prioritários da OMS, mas a maioria tem apenas benefícios limitados quando comparados com os antibióticos já existentes. Dois deles são contra as multirresistentes bactérias gram-negativas que se estão a espalhar rapidamente e a precisar de soluções urgentes.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, avança que “várias iniciativas estão em andamento para reduzir a resistência, mas também precisamos que os países e a indústria farmacêutica contribuam com financiamento sustentável e novos medicamentos inovadores”.

Já Hanan Balkhy, diretor geral assistente da OMS para a resistência antimicrobiana, defende que “é importante concentrar o investimento público e privado no desenvolvimento de tratamentos eficazes contra as bactérias altamente resistentes, porque estamos a ficar sem opções”.

Para além disso acrescenta que é preciso ” garantir que, tendo esses novos tratamentos, fiquem disponíveis para todos que precisam deles”.

A OMS sublinha que novos tratamentos, por si só, não serão suficientes para combater a ameaça de resistência antimicrobiana.

Na área de investigação e desenvolvimento, a OMS juntamente com a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) estabeleceram a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP).

Esta é uma organização sem fins lucrativos que acelera o desenvolvimento de novos antibióticos para combater infeções resistentes a medicamentos. A estratégia da GARDP passa por cinco novos tratamentos até 2025.

A organização está a trabalhar com mais de 50 parceiros do setor público e privado, em 20 países, de modo a desenvolver e garantir acesso sustentável a tratamentos, promovendo o uso responsável e a acessibilidade a todos.

Envie este conteúdo a outra pessoa