Ébola: Orientações da DGS para responder ao vírus estão todas a ser revistas 280

Ébola: Orientações da DGS para responder ao vírus estão todas a ser revistas

13 de outubro de 2014

A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou esta sexta-feira, segundo o “Público”, os procedimentos de segurança na colheita, manipulação e transporte das amostras de sangue de eventuais casos suspeitos de infeção por vírus de Ébola e nos próximos dias vai rever todas as orientações dirigidas aos profissionais de saúde, mas serão alterações de pormenor, adiantou Paula Vasconcelos.

Apesar de, em termos epidemiológicos, a situação não se ter alterado em Portugal, «a perceção do risco aumentou» nos últimos dias, com a notícia do contágio da auxiliar de enfermagem espanhola, e os profissionais começaram a ler com outra atenção as orientações que têm vindo a ser divulgadas pela DGS desde Abril e a fazer perguntas, explicou a especialista da DGS. «Está a ser tudo revisto até para afinar a linguagem e para que não haja tantas dúvidas», disse.

«A resposta está bem montada e o que é preciso, agora, é uniformizar procedimentos», acrescentou Jorge Machado, coordenador do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa), o laboratório de referência a nível nacional. Foi justamente para afinar estratégias e evitar ao máximo que haja falhas que o instituto promoveu sexta-feira uma ação de formação em que participaram especialistas de vários pontos do país. Objetivo central? Esclarecer como vestir e despir os fatos de proteção usados pelos profissionais que têm que lidar com casos suspeitos. Até à data, o Insa já foi chamado a atuar em quatro casos considerados suspeitos, que se vieram a revelar todos negativos (três eram doentes com malária e o outro tinha febre tifóide).

O Insa está disponível para dar formação a quem o solicitar, garantiu o responsável, que nota, porém, que «formar toda a gente seria impensável». Com cinco laboratórios de alta segurança, pessoal treinado e já «posto à prova em sucessivas crises», como a do antrax, em 2001 e, mais recentemente, a do vírus H1N1 (a gripe A,) o instituto de referência tem uma equipa dedicada a este problema, mas, na retaguarda, há grupo de profissionais «bem maior que está todo treinado».

Mas, se no laboratório de referência e nos hospitais definidos a nível nacional para receber os casos suspeitos (o Curry Cabral e o D. Estefânia, em Lisboa, e o S. João, no Porto) o pessoal está a ser formado, o que é que está a acontecer nas outras unidades de saúde? «O elo mais fraco» do sistema de saúde são as urgências, teme Mário Jorge Santos, da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, que lembrou que trabalham nestes serviços muitos clínicos contratados à tarefa e que os cortes orçamentais têm contribuído para a «degradação» das condições. «O meu principal receio é que chegue um doente a um serviço de urgência e seja visto por alguém que não faça parte do staff», explicou. Apesar de o risco em Portugal ser «baixíssimo» e de o país estar «bem preparado» para dar resposta nesta fase, é preciso acautelar este tipo de situações, sustentou.

«A maior preocupação sente-se entre os profissionais que trabalham nas urgências», corroborou Bruno Noronha, da Ordem dos Enfermeiros (OE), que frisou que a própria distribuição arquitetónica destes serviços não é de molde a facilitar o isolamento dos doentes. «Numa primeira abordagem, os doentes estão todos juntos e, a agravar, os sintomas da infeção por Ébola confundem-se com os sintomas de uma gripe normal», acentuou Bruno Noronha, que trabalha no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Apesar de os enfermeiros que fazem a triagem dos doentes nas urgências terem já dispositivos de proteção individual, como máscaras, batas e luvas, nesta urgência veem «centenas de casos por dia», lembrou. Numa altura em que se aproxima a época da gripe, o enfermeiro receia que se crie uma situação caótica nos hospitais e até nos centros de saúde, onde os profissionais «receberam as orientações da DGS e mais nada».

«Atualmente temos um nível de alerta entre verde e amarelo, mas devemos estar conscientes de que este pode aumentar», defendeu Jorge Atouguia, especialista em medicina tropical e infeciologia. Jorge Atouguia também não está preocupado com os médicos e enfermeiros dos hospitais de referência. «O problema são os colegas dos outros hospitais e dos centros de saúde», alertou. «Aqui, não sei se existirá estratégia».

Um problema suplementar e que não tem sido equacionado, na sua opinião, é a previsível «desregulação que este fenómeno vai provocar nos serviços de saúde», com a necessidade de isolar doentes. «E se não houver zona de isolamento? E o que se faz quando é necessário transportar um doente num elevador», perguntou. «Neste momento, o risco maior para a população nem é Portugal ter casos de Ébola, mas sim o da disrupção que resultará de ter que ser fechado um serviço de saúde. Nos grandes centros haverá uma alternativa, mas nos pequenos será mais complicado», perspetivou.

Hospitais testam fatos do Ébola

Os três hospitais escolhidos para tratar doentes com Ébola no país estão a intensificar a formação dos profissionais sobre como vestirem e despirem os fatos, máscaras e luvas de proteção. Isto para testar o atendimento de casos suspeitos e evitar quebras no protocolo de segurança, como a que aconteceu em Espanha e levou uma auxiliar de enfermagem a contrair o vírus.

Médicos, enfermeiros, pessoal administrativo e de limpeza dos hospitais escolhidos para tratar o Ébola intensificam treinos e simulações.

Médicos, enfermeiros, administrativos e até o pessoal da limpeza dos hospitais Curry Cabral e D. Estefânia, em Lisboa, e do S. João, no Porto, têm sido, no último mês várias vezes convocados para treinos sobre o equipamento. De surpresa, as direções clínicas têm feito simulações em que todos os profissionais agem como se ali estivesse a chegar um doente infetado.

«O mais perigoso é tirar o fato. Por isso, o que mais treinamos nos hospitais é a forma correta de vestir e despir», contou ao “Sol” um profissional de saúde que integra as equipas que irão tratar de eventuais doentes com Ébola, acrescentando que o protocolo estipula  que se começa por tirar as luvas, depois o fato (da cabeça até aos pés).

«A última coisa a tirar é o segundo par de luvas que temos sempre de usar», esclareceu. Durante todo o processo, não se pode mexer no corpo nem na roupa que se tem por baixo do fato. «Terá sido aqui que a espanhola falhou», disse a mesma fonte, referindo-se às suspeitas de que a colega foi contagiada quando, ao tirar a proteção, tocou com uma luva infetada na cara. As autoridades espanholas já admitiram que houve um «relaxamento» no cumprimento das regras.

Ébola: Secretário de Estado diz que não há razão para alarme social

O secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, afirmou na sexta-feira em Coimbra que não há razão para «alarme social» em Portugal relativamente à epidemia de Ébola, avançou a “Lusa”.

«Não há caso de pânico, não há razão para alarme social», disse Fernando Leal da Costa, à margem da sessão de abertura das comemorações do Dia Mundial da Saúde, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.

Neste momento, «não há nenhuma alteração do perfil de risco, relativamente à população portuguesa», referiu, sublinhando, porém, que «o Governo tem noção daquilo que é a situação a nível mundial» e que se está a preparar «cada dia melhor para a eventualidade, ainda que remota, mas não impossível», de surgir um caso de Ébola em Portugal.

«Por razões que têm que ver com o próprio tráfego aéreo, Portugal não é um dos países mais expostos no imediato à importação direta de doentes que possam eventualmente ter contactado com o Ébola», sublinhou o secretário de Estado, em declarações aos jornalistas.

Fernando Leal da Costa realçou ainda que o caso da enfermeira infetada com Ébola em Espanha «foi uma situação diversa».

Em Portugal, os hospitais de referência definidos para atender estes casos são o Curry Cabral e o Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto.

UE vai discutir medidas de controlo nos aeroportos europeus

A presidência italiana da União Europeia e a Comissão Europeia convocaram para quinta-feira uma reunião de ministros europeus para coordenação do controlo de aeroportos que recebam voos de África por causa do Ébola.

De acordo com um porta-voz da União Europeia, Frederic Vincent, a reunião ministerial vai ser antecedida de um encontro do Comité da Segurança Sanitária da Europa, marcada para terça-feira, e que vai analisar, além das questões relacionadas com os aeroportos, a situação em Espanha, após o contágio de uma auxiliar de enfermaria.

Ministra da Saúde: Três vacinas russas prontas nos próximos seis meses

A Rússia espera produzir três vacinas contra o vírus do Ébola nos próximos seis meses, disse a ministra da Saúde, Veronika Skvortsova, no sábado, quando a epidemia já causou mais de 4.000 mortos, segundo a Organização Mundial de Saúde.

«Criámos três vacinas (…) e pensamos que estarão prontas nos próximos seis meses», declarou a ministra russa à televisão, segundo a agência “Ria Novosti”.

«Uma já está pronta para um ensaio clínico», adiantou, precisando que uma das vacinas tinha sido criada a partir de uma estirpe do vírus inativa.

Enquanto crescem os medicamentos antivirais experimentais, a OMS deu conta de duas «vacinas promissoras»: uma desenvolvida pela empresa britânica GlaxoSmithKline (GSK) e a outra desenvolvida por uma agência de saúde pública do Canadá, em Winnipeg, cuja licença de comercialização pertence à norte-americana NewLink Genetics.

Ensaios clínicos da vacina da GSK começaram recentemente no Mali, país africano vizinho da Guiné-Conacri.

A OMS espera os primeiros resultados dos ensaios das duas vacinas em novembro-dezembro e o início dos ensaios de fase 2 (permitindo avaliar a eficácia da vacina) nos países afetados em janeiro-fevereiro.

Ministro da Saúde: Ensaios clínicos de vacina estão a ser feitos no Mali

O ministro da Saúde do Mali disse na sexta-feira que começaram a ser feitos no país ensaios clínicos de uma vacina contra o Ébola, que está a ser testada nos Estados Unidos e no Reino Unido.

«A abordagem é puramente científica, o teste é feito com voluntários», disse Ousmane Koné à agência “France Presse”, adiantando que os ensaios decorrem no «centro de desenvolvimento de vacinas em Bamako».

O Mali é vizinho da Guiné-Conacri, afetada pela epidemia do Ébola, mas não registou qualquer caso desta febre hemorrágica no seu território.

Os ensaios são supervisionados pelo centro para o desenvolvimento de vacinas da escola de medicina da Universidade do Maryland, nos Estados Unidos, e pelo Ministério da Saúde.

Os testes desta vacina, desenvolvida conjuntamente pelo laboratório britânico GlaxoSmithKline e os Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos, iniciaram-se em setembro com 10 voluntários nos Estados Unidos e 60 no Reino Unido.

Não existe qualquer vacina ou tratamento específico para a doença do Ébola.

FMI apela a erradicação do Ébola sem isolar países atingidos

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, apelou no sábado à comunidade internacional para que erradique o vírus do Ébola sem isolar os países mais afetados pela doença.

«Estaremos aqui» caso sejam necessários mais recursos para travar o surto em alguns países da África Ocidental, garantiu Lagarde, na conferência de imprensa da assembleia anual do FMI, citada pela “Lusa”, realizada em Washington.

A instituição já desembolsou, no início do mês, 130 milhões de dólares para assistência financeira de emergência para os países mais afetados pela doença (Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria), que se juntaram aos 400 milhões de dólares prometidos pelo Banco Mundial.

É necessário «isolar o Ébola, não os países», sublinhou a presidente do FMI, que na sexta-feira se reuniu com o Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, para debater a forma como aquele país está a combater o vírus.

O fundamental, agora, segundo Lagarde, é «como deter» o avanço do Ébola para que não se estenda ao resto de África.

Um estudo do Banco Mundial, publicado esta semana, apontava pesados efeitos económicos caso a epidemia se expanda a outros países da África Ocidental, e que poderiam ascender a 32 mil milhões de dólares em 2015.

Profissional de saúde contaminado dos Estados Unidos «está estável»

O profissional de saúde, que tratou de um homem que morreu de Ébola nos Estados Unidos e teve um resultado positivo no teste preliminar do vírus, «está estável» e isolado, informaram ontem o Departamento de Serviços Médicos do Texas.

De acordo com a “Lusa”, a família do trabalhador pediu privacidade e, como tal, a sua identidade não será revelada, segundo explicou em conferência de imprensa o médico Dan Varga, do Departamento de Serviços Médicos do Texas.

O profissional de saúde tratou no Texas Health Presbyterian Hospital de Dallas Thomas Eric Duncan, o liberiano que contraiu Ébola e morreu na quarta-feira, e será submetido a um segundo teste para a confirmação definitiva do contágio, que será realizado pelos Centros de Control e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

O profissional de saúde já obteve um resultado positivo no teste preliminar do vírus, depois de ter comunicado que tinha febre baixa na noite de sexta-feira, mantendo-se isolado desde então.

Segundo o médico, durante o tratamento de Duncan o profissional usou «o equipamento completo» de proteção, com bata, luvas e máscara, requerido pelos CDC para as pessoas que estão em contacto com doentes de Ébola.

Todos os trabalhadores do hospital que estiveram envolvidos no tratamento de Duncan estão a ser vigiados para encontrar «outros potenciais casos de contágio», assim todos os contactos mais próximos do profissional de saúde.

«Obviamente que são más notícias», mas «não se deve entrar em pânico», apelou o juiz de Dallas Clay Jenkins, durante a conferência de imprensa.

O presidente do município de Dallas, Mike Rawlings, informou ainda que enviou uma equipa especial da polícia ao complexo de apartamentos, onde vive o profissional de saúde, para desinfetar e limpar as áreas públicas.

Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi informado sobre o novo caso através da sua conselheira para a Segurança Interna e Contra-Terrorismo, Lisa Monaco.

OMS: Número de mortos ultrapassou 4.000

O número de mortos devido ao surto epidémico de Ébola surgido na África Ocidental no final do ano passado ultrapassou os 4.000, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado sexta-feira em Genebra e citado pela “Lusa”.

De acordo com os últimos dados da agência especializada das Nações Unidas, que datam de 08 de outubro, registaram-se, no total, 8.399 casos em sete países, de que resultaram 4.033 mortes.

O anterior balanço, com informação de 05 de outubro, dava conta de 8.033 casos, dos quais 3.865 mortais.

Os sete países afetados foram divididos em dois grupos pela OMS, sendo o primeiro constituído pela Guiné-Conacri, a Libéria e a Serra Leoa – os três países mais atingidos – e o segundo pela Nigéria, o Senegal, a Espanha e os Estados Unidos.

No primeiro grupo, a Libéria, o país mais afetado pela epidemia, registou 4.076 casos, dos quais 2.316 resultaram em mortes.

Na Serra Leoa, a OMS contabilizou 2.950 casos e 930 mortes.

Por último, na Guiné-Conacri, onde teve início o surto epidémico, em dezembro de 2013, há 1.350 casos e 778 mortes.

Os profissionais de saúde continuam a ser o grupo populacional mais afetado pela doença nesses países, com 416 casos, de que resultaram 233 mortes.

No segundo grupo, na Nigéria, o número de casos e de mortes manteve-se inalterado, com 20 casos e 8 mortos.

O mais recente balanço da OMS deu conta de uma morte nos Estados Unidos e um caso em Espanha.

No Senegal, manteve-se a contagem, com apenas um caso.

Na República Democrática do Congo, onde foi identificada uma epidemia de Ébola distinta daquela que está a afetar a África Ocidental, a OMS contabilizou 71 casos, 43 dos quais se revelaram mortais, de acordo com um balanço efetuado a 07 de outubro.

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