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Burlas: Estado lesado em mais de 300 milhões de euros

 


08 de setembro de 2017

O SNS foi lesado em mais de 300 milhões de euros, devido a burlas, nos últimos seis anos, de acordo com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), da Polícia Judiciária.

O caso mais recente, anunciado ontem, que envolve um médico e três delegados de informação médica remonta a abril de 2016.

As autoridades acreditam que os delegados terão aliciado o médico a passar as receitas desmaterializadas aos seus utentes, com os medicamentos indicados por eles. Os profissionais cumpriam e até superavam os seus objetivos de vendas, e, em troca, o médico ganhava umas viagens e estadias em hotéis de luxo.

Na posse dos códigos de acesso para poderem levantar as receitas sem papel, os delegados de informação médica iam às farmácias fazendo-se passar por familiares dos utentes, segundo descreveu fonte da UNCC ao “DN”. Já depois de terem os medicamentos, muitos deles comparticipados, revendiam no mercado paralelo ou, em alguns, casos, destruíam-nos, referiu a fonte.

«Foram criados pelos detidos cenários de prescrição de medicamentos em desconformidade com a legislação aplicável, mediante a aceitação de vantagens patrimoniais, por um lado e por outro, visando a apropriação indevida da comparticipação dos medicamentos, com prejuízo do SNS em vários milhares de euros», referiu o comunicado da PJ.

O Ministério da Saúde esclareceu ao “DN” que o utente é livre de solicitar a um terceiro que proceda ao aviamento de medicamentos prescritos em seu nome, pelo que «a situação em si não configura nenhuma irregularidade». E afirmou ainda que procede diariamente à monitorização do sistema de desmaterialização da receita, «tendo desenvolvido um conjunto de indicadores que permitem a deteção de situações anómalas, que são de imediato comunicadas às entidades competentes para investigação».

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