Vacinação da gripe de pessoas com mais de 65 anos ligeiramente abaixo da meta da OMS 84

Mais de 73% das pessoas com 65 ou mais anos já foram vacinadas contra a gripe na campanha deste ano, uma percentagem que está ligeiramente abaixo da meta de 75% definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados constam da quarto e último relatório Vacinómetro, hoje divulgado, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que desde 2009 monitoriza, através de questionários, a taxa de cobertura de vacinação contra a gripe.

O estudo indica que 73,5% das pessoas com 65 ou mais anos foram vacinadas na campanha que arrancou no final de setembro, valor que, pelo segundo ano consecutivo, deixa Portugal próximo da meta de 75% estipulada pela OMS para esse grupo etário.

Segundo o relatório, analisado pela Lusa, 88,5% dos idosos com 85 ou mais anos de idade tomaram a vacina contra a gripe e mais de metade deles – 59,2% – referiram ter sido informados pelo profissional de saúde de que lhes estava a ser administrada a vacina de dose elevada.

No caso das pessoas com doença crónica, o Vacinómetro indica que 85,4% também foram vacinadas, com uma cobertura particularmente elevada entre as que têm doença respiratória (89,7%), diabetes (88,9%) e doença cardiovascular (86%).

De acordo com os dados agora divulgados, a cobertura vacinal contra a gripe abrangeu ainda 64,7% dos profissionais de saúde com contacto direto com doentes, uma subida de 15 pontos percentuais face à época passada, 60,6% das grávidas e 39,8% das crianças entre os 6 e os 24 meses.

“O crescimento face à época vacinal anterior é um dos principais destaques desta quarta vaga. A cobertura total da amostra subiu 14,4 pontos percentuais, de 47,4% para 61,8%”, salientam as conclusões, adiantando que este aumento foi “particularmente expressivo” nos profissionais de saúde e nos doentes crónicos.

Entre a população vacinada com 65 ou mais anos, a maior percentagem verifica-se no Alentejo, com 85,4%, seguindo-se o Centro (82,3%), o Norte (81,3%), o Algarve (80,7%), a Madeira (79,5%), a área metropolitana de Lisboa (75,7%) e os Açores (75%).

Do total da amostra inquirida, a recomendação do médico foi o principal motivo para a vacinação (33,1%), tendo sido relevante nos grupos de risco como doentes crónicos (39,1%) e grávidas (65,7%), com os médicos de família a serem responsáveis pela quase totalidade destas recomendações no grupo com 60 ou mais anos.

De acordo com os dados, a grande maioria da população com 85 ou mais anos recebeu a vacina num centro de saúde (96,4%), local também privilegiado pela população com 65 ou mais anos (65,2%), enquanto as pessoas entre os 60 e os 64 anos recebeu a vacina maioritariamente na farmácia.

Para o presidente da SPP, estes resultados representam um “marco importante” para a saúde pública em Portugal, salientando a “extraordinária cobertura” de quase 90% entre a população com 85 ou mais anos.

“Este nível de proteção traduz-se numa menor probabilidade de complicações graves e numa redução significativa da pressão sobre os serviços de saúde”, realçou Jorge Ferreira.

Para o responsável, apesar de pelo segundo ano consecutivo se ficar aquém da meta de 75% da OMS para a população acima dos 65 anos, o “aumento consistente da cobertura vacinal na maioria dos grupos demonstra que se está claramente no rumo certo”.

O processo de inquirição do Vacinómetro decorreu entre 18 de fevereiro e 24 de fevereiro.

Segundo o último relatório da Direção-Geral da Saúde, entre 23 de setembro de 2025 e de 01 de março, foram vacinadas contra a gripe 2.560.440 pessoas, das quais 1.385.748 no Serviço Nacional de Saúde e 1.172.114 nas farmácias.