ULS São João testa utilização de ‘drones’ na área da saúde 340

A Unidade Local de Saúde São João, no Porto, está a testar a utilização de ‘drones’ na área da saúde, um projeto-piloto em fase de testes que tem como primeiro passo a construção de um vertiporto.

“Se me pergunta se vai ser possível recorrer a aeronaves não tripuladas [drones] para transporte de medicamentos, sangue, órgãos, um desfibrilhador ou outro material daqui a um, cinco ou mais anos, não poderei dar a resposta. Mas sei que a ULSSJ está a capacitar-se, de acordo com o que são as boas práticas internacionais, de acordo com o que é o conhecimento nesta área internacionalmente, das ferramentas e das condições para que isso seja possível fazer em total segurança”, disse a presidente do conselho de administração, Maria João Baptista.

Em causa está um projeto-piloto desenvolvido pela ULSSJ em parceria com o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento e o laboratório de inovação médica 4LifeLAB, um consórcio que une engenharia e saúde que mereceu financiamento específico nacional e europeu. Do lado do São João, a verba ronda os 800 mil euros.

A utilização de ‘drones’ é já comum para fins recreativos, bem como em contextos de guerra.

Em contextos de catástrofe, de terramotos e maremotos, também já foram utilizados para fazer chegar medicamentos, sangue e equipamento a áreas remotas.

À Lusa, dando exemplos de casos na Índia, Uganda, Ruanda, entre outros, Maria João Baptista, sublinhou as palavras “eficácia” e “rapidez” para descrever as mais-valias da utilização de ‘drones’ na saúde.

“Sabemos que mesmo em contextos em que temos cuidados de saúde de país civilizado, que temos cuidados de saúde muito diferenciados e que há áreas muito densamente povoadas há mais-valias. Num dos testes que não foi feito por nós, foi feito em outro contexto, percebeu-se que foi possível fazer chegar por ‘drone’ um desfibrilhador um minuto e meio mais rápido do que transportado por uma ambulância. Para quem está em paragem cardiorrespiratória, um minuto e meio é imenso tempo, define tudo”, descreveu a médica.

Salvaguardando que a passagem deste projeto dos testes à prática só virá a ser possível depois de o processo estar muito maturado, regulado e planeado, e que tudo está a ser acompanhado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), Maria João Baptista revelou que a ULSSJ tem feito voos numa zona específica do hospital onde não há circulação de pessoas.

O objetivo é testar a capacidade de carga das aeronaves, as necessidades ao nível de temperatura, garantias de conservação, e a tecnologia necessária.

A primeira saída do perímetro do hospital não está, para já, agendada, mas deverá ser até ao polo da ULSSJ em Valongo.

E se conseguirmos enviar vacinas do hospital para os centros de saúde recorrendo a um ‘drone’? Ou recolher amostras de sangue que são colhidas em outros locais? Evitaríamos ter pessoas a fazerem isso que podem estar a desempenhar funções mais urgentes”, exemplificou, sendo a mesma lógica real para as equipas e ambulâncias que partem de um hospital para uma autoestrada só para transportar um equipamento médico, quando estas poderiam estar a acudir a uma vítima noutra ocorrência urgente.

A par do Porto, é conhecimento da ULSSJ que decorrem testes semelhantes em cidades americanas, no Canadá e nos Estados Unidos, bem como em Londres (Inglaterra) ou Países Baixos, locais também densamente povoados e com obstáculos como prédios, entre outros.

“Consegue-se mais eficiência dentro do sistema, evita-se ter pessoas paradas no trânsito e somos até mais ecológicos, fazemos menos emissões. A componente ambiental na utilização de ‘drones’ em processos logísticos tem de ser valorizada”, acrescentou Maria João Baptista.

No âmbito deste projeto-piloto foi já lançado um concurso público para a construção de um vertiporto, uma espécie de “heliporto de ‘drones’”, que no São João vai ficar numa zona elevada.

“Temos que ter absoluta segurança que o ‘drone’ não coloca as pessoas em risco”, concluiu Maria João Baptista.