O Safe Heart Plan, o plano de saúde cardiovascular da União Europeia (UE) para enfrentar um dos principais desafios de saúde da UE: as doenças cardiovasculares, assenta em três pilares fundamentais, um dos quais a prevenção, onde a vacinação contra doenças infecciosas como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), é apontada como uma prioridade para prevenir complicações cardiovasculares nas pessoas mais velhas portadoras destas doenças crónicas, uma vez que permite reduzir o risco de ataques cardíacos, AVC e outros eventos agudos.
Numa UE onde os avanços na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares não impediram que continuem a ser a principal causa de morte e incapacidade, 1,7 milhões de pessoas perdem a vida, por ano², devido a estas doenças, que afetam cerca de 62 milhões de cidadãos. Um impacto que vai muito além dos sintomas físicos e, ao qual, se junta um custo económico superior a 282 mil milhões de euros anuais, incluindo 47 mil milhões de euros em perdas de produtividade³. Alerta a Comissão Europeia que, se nada for feito, este fardo vai continuar a crescer, a roubar vidas e anos com qualidade, a sobrecarregar os sistemas de saúde e a enfraquecer a resiliência económica.
Entre 2025 e 2050, as estimativas apontam para um aumento de 90% na prevalência das doenças cardiovasculares e uma subida de 73,4% no número de mortes, que deverá chegar às 35,6 milhões em 2050 (contra 20,5 milhões em 2025)5. Dados que reforçam a urgência de ação.
Consideradas uma importante estratégia preventiva, as vacinas contra infeções como a gripe, a Covid-19, o vírus sincicial respiratório (VSR), a doença pneumocócica ou o herpes zoster, são consideradas fundamentais para reduzir complicações cardiovasculares, sobretudo nos grupos de risco. O Safe Hearts Plan estabelece mesmo uma relação direta entre a prevenção de infeções respiratórias e a saúde do coração. É o caso do VSR, um dos agentes mais comuns de infeções respiratórias, sendo uma das principais causas de pneumonia e insuficiência respiratória em adultos com mais idade.
“Nas pessoas que vivem com doenças crónicas a prevenção não é um complemento, é uma necessidade vital. Infeções respiratórias como o VSR, a gripe ou a Covid-19 podem desencadear episódios de descompensação, aumentar o risco de enfarte ou AVC e comprometer significativamente a qualidade de vida dos doentes. Investir na vacinação e numa abordagem preventiva integrada é proteger os mais vulneráveis e evitar complicações que são, muitas vezes, preveníveis e evitáveis.
Como representante de um movimento de doentes, importa esclarecer que a vacinação é um pilar essencial para a promoção da saúde global da população e, claro, um pilar vital para os doentes crónicos, seja qual for a patologia de base”, explica, em comunicado, José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação – MOVA.
Um estudo desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) concluiu que a vacinação de adultos com 60 ou mais anos contra este vírus poderia prevenir dezenas de milhares de infeções respiratórias, evitar centenas de episódios de urgência, hospitalizações e salvar vidas. Uma medida que, de acordo com o mesmo estudo, permitiria uma poupança anual superior a 45 milhões de euros com custos diretos médicos.
Esforços redobrados
De acordo com o Safe Hearts Plan, a Comissão Europeia pretende apoiar os esforços nacionais para aumentar a cobertura vacinal, assim como colaborar com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) no combate à desinformação, apoiar as estratégias nacionais de vacinação com base em evidências científicas e monitorizar o desempenho dos programas de imunização.
Além do pilar da prevenção, que tem como foco uma abordagem personalizada e ao longo da vida para reduzir a carga destas doenças, o documento identifica, ainda, nesta luta contra as doenças cardiovasculares, o pilar da deteção precoce e rastreio, para que se possa identificar atempadamente os fatores de risco e as doenças antes que ocorram eventos graves, e o pilar do tratamento e cuidados, que inclui a reabilitação, visando melhorar a gestão da doença e a qualidade de vida dos doentes.




