Três mortes expõem falhas na resposta do INEM 135

Três pessoas morreram esta semana à espera de socorro. Os casos aconteceram em Sesimbra, Tavira e Seixal.

INEM abre auditoria interna à morte de uma mulher na Quinta do Conde

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.

Em resposta à Lusa, o INEM, responsável pela coordenação do Sistema Integrado de Emergência Médica, tendo por isso de garantir os cuidados de emergência pré-hospitalares a vítimas de acidentes ou doenças súbitas 24 horas por dia, lamentou o óbito e disse que, mais uma vez, faltaram meios.

“Tal como na situação ocorrida ontem na margem sul do Tejo, o INEM cumpriu a sua função, não tendo a resposta sido mais eficaz devido à indisponibilidade de meios na margem sul do Tejo”, refere.

Na resposta, o INEM explica que a chamada foi recebida pelas 13:43 e classificada no Centro Operacional de Doentes Urgentes (CODU) como P2 – muito urgente, um caso em que o nosso sistema de triagem prevê a chegada do primeiro meio de socorro ao local até 18 minutos.

Diz que o CODU tinha já informação de inexistência de ambulâncias disponíveis no distrito de Setúbal e que, pelas 14:01, o Comando Sub-Regional da Grande Lisboa da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) disponibilizou uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos.

Pelas 14:06, a situação foi reclassificada pelo INEM como P1 – emergente (resposta imediata), segundo o INEM, que diz que as Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) estavam na altura a responder a ocorrências igualmente consideradas P1.

Explica ainda que, pelas 14:37, a equipa dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, no local, informou que a utente estava “em paragem cardiorrespiratória”.

A VMER de Setúbal, entretanto disponível, foi acionada para o local pelas 14:42.

Diz ainda o INEM que, tanto esta ocorrência como a de terça-feira, no Seixal, em que um homem morreu depois de ter estado quase três horas à espera de socorro, “são totalmente alheias ao sistema de triagem por prioridades” do CODU, que “funcionou de acordo com os procedimentos definidos”.

Homem de 68 anos morre em Tavira depois de mais de uma hora a aguardar socorro

Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, disse à Lusa fonte da família.

Segundo a fonte, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.

A fita do tempo desta ocorrência, a que a Lusa teve acesso, regista uma primeira chamada pelas 18:07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.

A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.

A primeira ambulância foi acionada pelas 18:42.

Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18:49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.

Segundo a fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.

Este caso acontece depois de na terça-feira um homem de 78 anos ter morrido no Seixal, depois de ter estado quase três horas à espera de socorro.

Em relação a este caso, o presidente do INEM descartou responsabilidades do instituto, atribuindo o atraso à falta de meios e retenção de macas das ambulâncias nos hospitais.

MP abre inquérito a caso de utente que morreu no Seixal à espera de socorro

O Ministério Público instaurou um inquérito ao caso do utente que morreu na terça-feira no Seixal depois de esperar quase três horas pelo socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Numa resposta enviada à Lusa, o MP indica igualmente que determinou a realização de autópsia médico-legal.

O caso ocorreu na passada terça-feira, quando um homem de 78 anos, da Aldeia de Paio Pires, no Seixal, distrito de Setúbal, ligou para o INEM depois de uma queda, uma situação que foi classificada como prioridade 3, que implicava uma resposta em 60 minutos.

A Lusa teve acesso à fita do tempo deste caso, que mostra que o homem ligou pela primeira vez ao INEM pelas 11:20 de terça-feira, tendo apenas sido enviada a viatura médica pelas 14:09, quase três horas depois.

Na quarta-feira, em declarações aos jornalistas, o presidente do INEM, Luis Cabral, descartou responsabilidades do instituto, insistindo que 15 minutos depois foi tentada a ativação de um meio para o local, mas não havia ambulâncias disponíveis.

Luis Cabral atribuiu a falta de resposta atempada à retenção de macas nos hospitais, que seguram as ambulâncias, não podendo depois dar resposta a outras situações.

“A resposta do INEM foi dada dentro daquilo que era o prazo. Fizemos a nossa primeira tentativa de ativação de meios. Infelizmente, e como tem sido notícia em todos os órgãos de comunicação social do país, há uma limitação muito significativa de ambulâncias, principalmente na margem sul, por via da retenção dessas ambulâncias nas unidades de saúde”, acrescentou.

O caso já está também a ser investigado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).