
Há decisões que não se anunciam em palco, mas que mudam a forma como o palco é montado.
Quando falamos de sustentabilidade, falamos muitas vezes de metas, relatórios e indicadores. Mas, para mim, a sustentabilidade é, antes de mais, uma forma de estar, uma lente através da qual passamos a olhar para tudo o que fazemos. Incluindo na forma como concebemos os nossos próprios eventos.
O 15.º Congresso das Farmácias, a Expofarma 2026 e a Gala Solidária não são apenas momentos de celebração, partilha e afirmação do setor. São também espaços de responsabilidade. Se defendemos uma farmácia mais próxima, mais moderna e mais preparada para o futuro, esse futuro tem de ser coerente com os princípios que integramos no Programa Sustentabilidade 2030 da ANF.
Foi com esse compromisso que incorporámos, desde a fase de planeamento, preocupações ambientais, sociais e de governação na realização destes eventos. Optámos e promovemos soluções tendentes à redução de materiais descartáveis, reforçámos práticas de separação e gestão de resíduos, incentivámos escolhas mais conscientes por parte de parceiros e fornecedores. Nos bastidores, muitas decisões foram revistas à luz de um critério simples: como reduzir impacto e gerar valor duradouro?
Mas a sustentabilidade não se esgota na dimensão ambiental. Está também na forma como criamos condições de acessibilidade, como promovemos a inclusão de diferentes gerações e sensibilidades, como damos palco a projetos emergentes e a vozes diversas. Está na transparência dos processos e na responsabilidade com que gerimos recursos que são de todos.
E está no centro da reflexão, no programa do próprio Congresso. A sustentabilidade sobe ao palco não como tendência, mas como realidade em curso nas farmácias portuguesas. Numa sessão dedicada, ficará claro que os princípios ESG deixaram de ser um conceito abstrato para se tornar parte do presente do setor. Será sublinhada a relevância crescente das exigências regulatórias, a particular exposição de Portugal ao risco ambiental e a ligação indissociável entre saúde e ação climática. Refletiremos sobre o papel das farmácias como agentes ativos na transição sustentável e sobre as oportunidades concretas para quem integra estas práticas na sua gestão.
Falaremos também de liderança. Porque nenhuma transformação estrutural acontece sem líderes preparados para a conduzir. Será debatida a diferença entre modelos tradicionais e uma liderança verdadeiramente sustentável, capaz de agir como agente de mudança sistémica, mobilizando equipas, redefinindo prioridades e incorporando critérios de longo prazo nas decisões do dia a dia.
Acreditamos que liderar processos implica dar o exemplo e talvez nem tudo seja visível para quem participa. E ainda bem. A verdadeira integração é aquela que deixa de ser adereço para passar a ser estrutura.
A sustentabilidade é um caminho em construção, exigente, feito de escolhas conscientes e de melhoria contínua. Um caminho que estamos a percorrer com as farmácias, a uma só voz. Porque cuidar da saúde é também cuidar do contexto em que ela acontece.
Paulo Fernandes
Presidente da Comissão Organizadora do 15.º Congresso das Farmácias




