SNS regista redução de 28% nos dias com urgências fechadas em janeiro 52

O número de dias com urgências fechadas diminuiu 28% em janeiro face ao mesmo mês de 2025, confirmando a tendência verificada no ano passado, revelou hoje o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde no parlamento.

Segundo a Lusa, Álvaro Almeida reconheceu que os encerramentos de urgências “criam incerteza na população”, mas sublinhou que têm sido registadas melhorias significativas.

Indicou que, em 2025, o número de dias de encerramento diminuiu 37% face ao ano anterior.

“Mesmo em janeiro de 2026 houve uma redução de 28% face a 2025”, que já tinha registado uma descida em relação a 2024.

Na comparação entre janeiro de 2026 e janeiro de 2024, a redução acumulada é de cerca de 60% nos dias de encerramento de urgências, realçou Álvaro Almeida na comissão parlamentar de Saúde, onde foi ouvido a pedido do Chega sobre a capacidade de resposta do Sistema de Emergência Médica.

Também assinalou a descida dos tempos de espera nas urgências hospitalares, entre a triagem e a primeira observação, que baixaram 3% no período de 01 de outubro de 2025 a 31 de janeiro comparativamente à época anterior, que também já tinha registado uma redução de 17% face a 2023/24.

Álvaro Almeida atribuiu “grande parte da melhoria” registada nos tempos de espera nas urgências à “maior utilização” da linha SNS 24, “que permite uma utilização mais racional das urgências”, retirando os casos não urgentes.

“Como todo o resto do sistema, em determinados momentos de maior pressão, teve dificuldades de resposta, mas isso é inevitável”, comentou, acrescentando: “Temos uma quantidade de recursos limitada e vai haver sempre, mas isso faz parte da gestão dos serviços de saúde, picos de pressão nas urgências, seja nas urgências hospitalares, seja na linha SNS 24”.

Álvaro Almeida afirmou que cabe aos responsáveis pelas unidades de saúde planear e implementar medidas de contingência para responder a situações de maior pressão, procurando minimizar o impacto, embora nem sempre seja possível eliminá-lo devido às limitações de recursos.

Segundo o diretor executivo do SNS, o problema está a ser resolvido na área mais importante, a da capacidade de resposta, num inverno marcado por uma atividade gripal particularmente intensa.

Dados da Direção-Geral da Saúde indicam que os episódios de urgência por síndrome gripal duplicaram face ao habitual e ocorreram mais cedo, coincidindo com o período de maior pressão nos serviços.

“Tivemos, deste ponto de vista, o pior dos mundos: a coincidência do pico da gripe com a semana entre o Natal e a passagem de ano e os primeiros dias de janeiro, que são, todos os anos, os períodos mais críticos”, afirmou.

Segundo o responsável, a percentagem de internamentos por gripe em cuidados intensivos atingiu, na semana 52 (22 a 28 de dezembro de 2025), “o valor mais elevado de que há registo, desde 2012, cerca de 20%”.

Tivemos uma atividade gripal mais intensa, com mais consequências em termos de internamento, até porque houve uma predominância de uma estipe da gripe em que a vacina não dava uma cobertura tão boa, e mesmo assim os tempos de espera na urgência foram menores do que nos anos anteriores. Portanto, acho que é evidência clara de que SNS está a melhorar, a responder melhor, a ultrapassar estas dificuldades”, declarou.

“Obviamente, não vamos resolver os problemas todos de uma vez, nomeadamente aqueles que colidem com questões infraestruturais que não se mudam de um dia para o outro, nem se mudam sequer de um ano para o outro”, acrescentou, aludindo a questões como a retenção das macas nos hospitais.