O Quénia começou hoje a administrar as primeiras doses de um novo tratamento para a prevenção do VIH num bairro popular da capital Nairobi, anunciou o ministro da Saúde.
“Hoje é um momento de esperança para milhares de famílias quenianas”, disse o ministro da Saúde, Aden Duale, durante um evento público noticiado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
O lenacapavir é um tratamento injetável contra o VIH que só precisa ser administrado duas vezes por ano, e representa um enorme avanço em relação aos tratamentos que exigem a toma diária de um comprimido, de acordo com os especialistas.
O Quénia faz parte dos nove países africanos selecionados no ano passado para introduzir o lenacapavir, que desde dezembro está a ser utilizado na África do Sul, em Eswatini e na Zâmbia.
Cerca de 1,3 milhões de pessoas vivem com VIH no Quénia, a maioria com idades entre os 15 e os 24 anos.
“Muitos dos nossos jovens ainda estão expostos ao risco de infeção; esta inovação dá-nos uma força renovada na nossa luta nacional contra o VIH”, disse o governante, acrescentando que o medicamento será gratuito para aqueles que o receberem.
O medicamento tem um custo extremamente elevado, de acordo com o Fundo Mundial de Combate à SIDA (ONUSIDA), que negociou com a farmacêutica Gilead, em julho, uma descida do valor, de cerca de 23.700 euros por paciente por ano nos Estados Unidos, para cerca de 50 euros no Quénia.
Na semana passada, o Quénia recebeu o seu primeiro lote de 21 mil doses graças a um acordo com o fabricante do lenacapavir, a Gilead Sciences, e o ONUSIDA.
Esta implementação, de acordo com a Lusa, ocorre num momento em que os países africanos enfrentam reduções na ajuda humanitária mundial, especialmente dos Estados Unidos, que afetaram os programas de combate ao VIH/sida em todo o continente.




