Produção farmacêutica em queda (drástica) 24

Segundo o relatório mais recente da Crédito y Caución, o setor farmacêutico global prepara-se para um cenário de forte desaceleração em 2026, apesar de manter níveis sólidos de liquidez e solvência. A produção mundial deverá crescer apenas 1,6% no próximo ano, uma queda abrupta face à expansão de 9,1% projetada para 2025.

O Jornal Económico noticiou, ontem, que a análise atribui esta queda ao efeito bumerangue das tarifas. Neste sentido, explica que o crescimento atípico esperado para 2025 deve-se à antecipação massiva de encomendas por parte das empresas, que tentam proteger-se contra a nova política comercial dos EUA. A administração norte-americana já sinalizou tarifas de até 100% sobre medicamentos de marca ou patenteados não fabricados em solo americano. Isto levou a que várias companhias farmacêuticas investissem milhares de milhões na relocalização de fábricas para os Estados Unidos.

Na União Europeia prevê-se uma queda na produção para os 3,7%, com as empresas a perderem competitividade para os polos dos EUA e da China.

O impacto será particularmente severo na Irlanda, pois a produção deverá abrandar drasticamente após o pico de 41% em 2025, impulsionado pelo stocking estratégico.

A indústria farmacêutica enfrenta ainda a perda de exclusividade de fármacos críticos, estimando-se que as 15 patentes mais importantes do mundo em áreas como oncologia e metabolismo expirem nos próximos anos. Acresce a isto cortes orçamentais na saúde pública em vários países, o que coloca sob pressão o investimento em Investigação e Desenvolvimento.