Preços dos medicamentos contra a obesidade caem até 80% na China 88

Os preços de alguns dos fármacos mais populares contra a obesidade caíram até 80% na China em relação ao seu lançamento inicial, devido à forte concorrência num mercado que supera os 400 milhões de pessoas com excesso de peso.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, citado pela Lusa, a guerra de preços começou no final de dezembro, depois de a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk ter reduzido para metade os preços do seu injetável Wegovy – lançado por um valor equivalente a até 272 dólares (233 euros) – em algumas províncias do país.

Na sequência dessa decisão, o seu principal rival, o Mounjaro, da norte-americana Eli Lilly, já oferece fornecimentos mensais por cerca de 72 dólares (61 euros) na plataforma de comércio eletrónico JD.com, o que representa um desconto de aproximadamente 80% face ao preço inicial.

As multinacionais reduziram os preços mais rapidamente e de forma mais agressiva do que esperávamos para competir neste mercado. Os rivais locais deverão fazer o mesmo”, afirmou Zhang Jialin, analista especializado no setor da saúde na China para o banco japonês Nomura.

A conjuntura poderá favorecer as empresas chinesas a partir de março, quando expira a patente da semaglutida da Novo Nordisk no país asiático, o que abrirá a porta ao surgimento de novos genéricos locais, explica o jornal.

Mais de 60 fármacos da classe GLP-1 – à qual pertencem o Wegovy e o Mounjaro, este último baseado na tirzepatida – encontram-se nas fases finais de ensaios clínicos na China.

Ainda assim, os analistas acreditam que as empresas locais terão de reduzir ainda mais os preços, por não disporem do apoio de marcas globais fortes. Por exemplo, a Innovent Biologics conseguiu, em junho, que a sua mazdutida se tornasse o primeiro medicamento deste tipo de desenvolvimento nacional a obter aprovação, mas reduziu o seu preço em 40% no início deste mês.

De acordo com um estudo publicado na revista The Lancet no ano passado, mais de 400 milhões de adultos na China cumprem os critérios para serem considerados com excesso de peso ou obesos, e esse número poderá atingir os 630 milhões em meados do século, com os custos dos tratamentos a ascenderem a cerca de 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros).