O Grupo Farmacêutico da União Europeia (PGEU) apresentou a sua nova visão para as farmácias comunitárias na Europa, definindo como estes estabelecimentos de saúde podem ajudar a Europa a responder aos principais desafios relacionados com a saúde, a demografia e as crises.
Em comunicado, o PGEU sublinha que “os sistemas de saúde europeus enfrentam pressões decorrentes do envelhecimento da população, das doenças crónicas e da escassez de medicamentos, enquanto os cidadãos esperam cuidados mais acessíveis e personalizados. A pandemia da COVID-19 demonstrou o valor das farmácias comunitárias como um primeiro ponto de atendimento de confiança, mantendo os cuidados, combatendo a desinformação e realizando intervenções de saúde pública”.
Na visão do grupo, atualmente, as farmácias “são centros de saúde integrados que combinam a presença local com conhecimentos clínicos, prevenção e inovação digital”. Neste sentido, os farmacêuticos comunitários “já fazem mais do que dispensar medicamentos: eles apoiam o uso seguro e a adesão ao tratamento, prestam serviços de prevenção e vacinação, tratam doenças menores, monitorizam condições crónicas e orientam terapias complexas, muitas vezes sem marcação prévia e fora do horário de funcionamento”.
Com o reconhecimento e o apoio adequados, esses serviços “podem expandir-se ainda mais, incluindo programas de rastreio estruturados, prescrição dentro de protocolos definidos, aconselhamento farmacogenómico e colaboração mais estreita com outros profissionais de saúde, particularmente em áreas carentes e rurais”, refere o PGEU.
“Através da nossa rede de farmácias, prestamos cuidados de saúde acessíveis e fiáveis no coração de cada comunidade. Ao integrar plenamente a farmácia comunitária nas estratégias de cuidados primários, nos sistemas de saúde digitais e nos quadros de preparação para crises, a Europa pode reforçar a prevenção, a continuidade dos cuidados e os sistemas de saúde que são resilientes, equitativos e preparados para o futuro. Esta nova Visão para a Farmácia traça as nossas prioridades para o futuro, com foco nos serviços centrados no paciente”, indica, no mesmo comunicado, o presidente do PGEU, Mikołaj Konstanty.
Os últimos anos também destacaram vulnerabilidades estruturais, incluindo escassez, infraestruturas digitais fragmentadas e pressão sobre a força de trabalho farmacêutica.
Os farmacêuticos dedicam muito tempo a gerir interrupções no abastecimento e encargos administrativos, reduzindo a capacidade de prestação de cuidados diretos aos pacientes. O PGEU defende que a resolução destas questões requer uma ação política coordenada a nível nacional e europeu.
Eis a nova visão do PGEU para libertar todo o potencial das farmácias comunitárias:
- “Prestação de cuidados seguros, contínuos e centrados na pessoa: as farmácias comunitárias garantem que as pessoas possam sempre aceder aos seus medicamentos e receber aconselhamento fiável e personalizado para um tratamento seguro e eficaz.”
- “Farmácias como centros de saúde integrados: as farmácias prestam serviços de prevenção, rastreio e vacinação como parte dos cuidados diários, especialmente em comunidades onde outros serviços de saúde são limitados.”
- “Excelência clínica e âmbito alargado: os farmacêuticos atuam como especialistas clínicos de primeira linha, gerindo condições menores e apoiando a continuidade do tratamento em colaboração com outros profissionais de saúde.”
- “Preparação para crises: as farmácias comunitárias formam uma rede de segurança fiável e descentralizada que apoia o fornecimento de medicamentos, a triagem e a resposta de saúde pública em tempos de crise.”
- “Uma força de trabalho próspera e preparada para o futuro: uma força de trabalho farmacêutica forte e motivada é construída através de salários justos, educação moderna e percursos profissionais claros.”
- “Transformação digital com rosto humano: as ferramentas digitais apoiam cuidados mais seguros e conectados, permitindo que os farmacêuticos passem mais tempo com os pacientes.”
- “Resiliência económica: modelos de financiamento sustentáveis reconhecem o valor total dos serviços farmacêuticos e permitem investimentos de longo prazo em cuidados e inovação.”
- “Práticas ecológicas: os farmacêuticos promovem o uso responsável de medicamentos e práticas sustentáveis para proteger a saúde pública e o meio ambiente.”
- “A rede de farmácias comunitárias da Europa não é apenas um trunfo para os cuidados de saúde, mas também uma pedra angular da resiliência do sistema.”
O documento pode ser consultado aqui.




