Petição com 850 assinaturas pede urgência na classificação Hospital Miguel Bombarda 254

Petição com 850 assinaturas pede urgência na classificação Hospital Miguel Bombarda

30 de junho de 2014

Uma petição com 850 assinaturas a pedir urgência na classificação do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, como património histórico e arquitetónico único foi entregue na quinta-feira ao secretário de Estado da Cultura, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira.

Este apelo surge depois de não ter sido dada qualquer resposta à proposta de classificação como conjunto de vários imóveis daquele hospital, apresentada em março de 2013 na Secretaria de Estado da Cultura.

A proposta foi feita pelas Sociedades Portuguesas de Psiquiatria, Neurologia, Arte Terapia e Arte Outsider, Congregação de S. Vicente de Paulo, pelos historiadores de arte Raquel Henriques da Silva e Vítor Serrão, e subscrita pelo Museu de Art Brut de Lausanne, Suíça, e pela European Outsider Art Association.

Segundo a “Lusa”, no texto, os peticionários relembram que aquele hospital é um «testemunho único da história da psiquiatria e da assistência aos doentes mentais», tem um arquivo «integral e multifacetado» e possui um «precioso acervo de arte de doentes».

«O hospital integra também um extraordinário conjunto de imóveis de diversificadas tipologias e de excecional valor arquitetónico e histórico, ímpar no país, e até a nível mundial», lê-se na petição.

Afirmando que o hospital Miguel Bombarda, na Colina de Santana, está «em sério risco» desde que fechou, em 2011, os peticionários alertam que os edifícios estão a degradar-se e apresentam «rombos em tetos e pavimentos, devido a infiltrações de água, por ausência de qualquer manutenção dos telhados».

No comunicado, os peticionários afirmam que o Serviço Técnico de Avaliação emitiu um parecer favorável à classificação do conjunto do hospital que não foi tido em consideração.

O hospital Miguel Bombarda pertence atualmente à Estamo, de capitais públicos, tutelada pelo Ministério das Finanças, que em junho de 2013 entregou na Câmara de Lisboa projetos de loteamento para quatro hospitais da Colina de Santana, entre eles o Miguel Bombarda.

Para esse hospital estavam previstas demolições quase gerais e construção de luxo, mas devido aos protestos e às muitas opiniões contrárias em consulta pública, os loteamentos foram suspensos.

Dos edifícios propostos a classificação, salientam-se o da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo (século XVII), Edifício das Enfermarias em poste telefónico (o primeiro do mundo com esta tipologia, de 1896), Edifício das Enfermarias em U (1900), Telheiro para passeio dos doentes (1894) e o poço e tanque da Quinta de Rilhafoles (século XVI).

Entretanto, e na sequência de denúncias de que o hospital estava degradado, com falta de manutenção e com falta de segurança, os deputados municipais que integram a comissão de acompanhamento da Colina de Santana foram na quarta-feira fazer uma visita ao espaço.

Em declarações à “Lusa”, a presidente daquela comissão e da Assembleia Municipal, Helena Roseta, disse que existem, de facto, problemas de manutenção dos telhados de alguns edifícios, que «estão em muito mau estado».

Os eleitos vão agora elaborar um relatório sobre o estado do hospital.

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