Peritos debatem União Europeia da Saúde 110

A pandemia de covid-19 veio evidenciar as fragilidades dos Sistemas Nacionais de Saúde de
toda a Europa, assim como o espírito de sacrífico de quem neles trabalha. Evidenciou, ainda, a
clara necessidade de uma maior cooperação a nível europeu, no que diz respeito a matérias de
saúde, para que seja possível dar uma resposta mais eficiente a este tipo de crises sanitárias.

Neste novo cenário planetário, será possível a criação de uma União Europeia da Saúde? Um
painel de peritos em Saúde tentou responder a esta questão num debate coorganizado pela
representação da Comissão Europeia em Portugal e pela Nova Economics Club, em parceria
com a Nova Student’s Union, no âmbito do congresso “Economia Viva 2021”.

O ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, defendeu que o mundo está a viver
“uma nova era” devido à pandemia de covid-19, manifestando esperança num “novo
entendimento” global sobre a importância das políticas de saúde.

“Estamos agora enfrentando uma nova era. Os Estados-membros da União Europeia, os
Estados Unidos, o Reino Unido e a China aperceberam-se de que uma doença viral pode parar
a economia, pode por todos os aviões no chão”, afirmou o ex-governante numa conferência
virtual sobre o tema da União Europeia da Saúde.

Adalberto Campos Fernandes salientou que “a ciência mostra-nos que será o instrumento
diplomático mais importante para unir países, unir pessoas, para a cooperação entre os
setores privado, público e social”.

Miguel Guimarães, o bastonário dos médicos, por seu turno, defendeu que o caos gerado por
esta situação pandémica deveria criar um alerta para o que aí vem. “Precisamos estar prontos
para a próxima pandemia porque haverá uma nova pandemia no futuro. Todos nós sabemos
disso, só não sabemos quando isso vai acontecer”.

O médico e deputado do PSD Ricardo Baptista Leite é da opinião que a pandemia poderá gerar
uma nova união entre os países da Europa. “Antes de vermos os Estados membros não
dispostos a discutir esse assunto todos juntos, era cada um por si, não podíamos compartilhar
responsabilidades … a saúde era uma responsabilidade considerada soberana”, algo que terá
de mudar para fazer face a problemas comuns.

Pedro Pita Barros, por sua vez, torce o nariz a este “consenso” em redor da ideia de haver uma
União Europeia da Saúde. Até porque “os países da União Europeia têm fontes de
financiamento muito diferentes, é difícil ver como criar uma união europeia da saúde”.

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