Partidos concordam que redes sociais representam riscos para crianças mas diferem nas soluções 45

Os partidos representados na Assembleia da República concordaram que as redes sociais representam riscos para as crianças e jovens mas defenderam modelos diferentes de proteção e levantaram dúvidas sobre a proteção de dados.

O parlamento debateu ontem um projeto de lei do PSD que pretende regular o acesso às redes sociais a menores de 16 anos.

PSD

No arranque do debate, o deputado Paulo Marcelo (PSD) defendeu que, perante riscos para a saúde derivados do “uso precoce e excessivo” das redes sociais, “é necessário regular, não para proibir, mas para proteger e para educar”.

“Não pretendemos banir ou proibir o acesso das crianças às redes e plataformas digitais, mas sim promover que as crianças dominem o ambiente digital em vez de serem dominadas por ele, reduzindo riscos de adição, exposição a conteúdos nocivos e aliciamentos ilícitos”, sustentou o deputado.

Paulo Marcelo defendeu também que o sistema de verificação de idade associado à chave móvel digital, que os sociais-democratas propõem, “não implica qualquer tipo de censura ou de controlo por parte do Estado”, e visa “apenas confirmar a idade da pessoa, sem associar nem a morada, nem a identidade dos pais, nem sequer o nome”.

A bancada social-democrata também manifestou abertura para a proposta ser “aperfeiçoada” na especialidade.

Chega

Sandra Ribeiro, do Chega, acusou o PSD de querer “transferir para o Estado e para as plataformas digitais competências que são dos pais” e levantou dúvidas de constitucionalidade ao diploma, questionando “como é que o Governo assegura que os sistemas de verificação de idade têm efetivamente elevado grau de fiabilidade e resistência à fraude”.

Na reta final do debate, o líder do Chega, André Ventura, também acusou PS e PSD de quererem controlar a narrativa nas redes sociais.

CDS

Já João Pinho de Almeida, do CDS (partido que concorreu coligado com o PSD nas últimas legislativas), criticou o modelo desenhado no projeto do PSD, defendendo que se deve “partir do ponto oposto” e deixar que sejam as famílias a decidir e limitar o uso de ecrãs: “Nunca será o Estado a dizer a um filho meu o que é que ele pode fazer: nunca, nunca, nunca”.

PS

Mariana Vieira da Silva, do PS, criticou os partidos que quiseram “fazer do debate um debate ideológico”, com “falsas oposições” entre os que defendem que a responsabilidade deve caber apenas às famílias e os que entendem que deve ser exclusivo do Estado, ou que opõem literacia a regulação, sublinhando que se devem implementar as duas medidas.

Mais à frente, a socialista Sofia Pereira referiu-se à verificação da idade e recusou que o Estado possa querer ser “o porteiro digital dos cidadãos”.

IL

Pela IL, a deputada Angélique da Teresa afirmou que o “uso excessivo de redes sociais é um problema”, mas avisou que as limitações de acesso podem ser contornadas e considerou que a proposta do PSD é “uma via verde para a dark web”.

Neste ponto, o deputado do PSD, um dos subscritores do projeto, defendeu que “pode haver possibilidade de alguns jovens sofisticados contornarem a proibição”, mas “não é por isso que o Estado deve deixar de atuar”.

Livre

A líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, considerou que é necessária “uma estratégia e ações a vários níveis e não apenas restringir a idade de acesso das crianças e jovens a determinados conteúdos online”. Patrícia Gonçalves, da mesma bancada, questionou “quem verifica que dados são recolhidos, como são armazenados, quem pode aceder-lhes, como garantir que não são reutilizados para outros fins”.

PCP

A líder parlamentar do PCP advogou que é “necessário assegurar a privacidade e a proteção dos dados pessoais” e que alguns aspetos do projeto do PSD “exigem maior ponderação para encontrar as soluções mais adequadas”.

BE

Também Fabian Figueiredo, do BE, considerou que é preciso acautelar a privacidade e a liberdade individual e garantir que não impera “o faroeste digital”.

PAN e JPP

A deputada única do PAN propôs que também plataformas de comunicação online sejam reguladas, enquanto Filipe Sousa, do JPP, indicou que acompanha a proposta, apesar de carecer de “muito trabalho” na especialidade.