Mulher detida na posse ilegal de 19 caixas de medicamentos no centro de Moçambique 333

A polícia moçambicana deteve uma mulher na posse ilegal de 19 caixas de medicamentos diversos, em Manica, centro de Moçambique, furtados na última semana num armazém nos arredores da capital moçambicana, disse ontem à Lusa fonte da corporação.

Segundo o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Manica, Paulo Candeeiro, a detenção aconteceu na última sexta-feira, quando a indiciada foi encontrada com as 19 caixas contendo os fármacos, entre os quais destaca-se amoxicilicina, azitromicina e antimaláricos.

“Esta senhora detida recebeu o medicamento aqui na província e [tencionava fazer] a distribuição”, disse o representante, avançando que o medicamento faz parte dos fármacos furtados no armazém central da Machava, na província de Maputo.

De acordo com Candeeiro, a polícia suspeita e investiga agora o possível envolvimento do marido da mulher, que se encontra atualmente na Tanzânia, país vizinho de Moçambique para o qual se suspeita que seriam também distribuídos os medicamentos.

Na quinta-feira, o Sernic anunciou a detenção de três suspeitos de envolvimento no furto de medicamentos e recuperou duas caixas com 64 frascos de comprimidos na Matola, arredores de Maputo, disse na altura à Lusa fonte oficial.

Segundo a porta-voz do Sernic na província de Maputo, Judite Nhanengue, a corporação deteve os primeiros dois na terça-feira e o terceiro na tarde de quarta-feira, quando este último seguia com duas caixas, contendo 64 frascos de comprimidos que se “presume ser amoxicilina”.

O ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar recentemente “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.

A Lusa noticiou, há uma semana, que a autoridade reguladora de medicamentos de Moçambique anunciou a detenção de três pessoas suspeitas de envolvimento no desvio de antimaláricos no armazém central da Machava, em Maputo, equivalentes a mais de 830 mil tratamentos.

Isse admitiu, em agosto, que se “roubam muitos medicamentos” nos hospitais do país, referindo que “desaparece tudo” em menos de 15 dias após a distribuição dos fármacos nas unidades.

“Peço também vossa ajuda no controlo do roubo de medicamentos. Rouba-se muito medicamento nos hospitais”, disse o Governante, afirmando que o Estado moçambicano compra medicamentos que “até sobram” para o país, mas acabam em pouco tempo devido aos casos de furto.

Moçambique expulsou desde janeiro pelo menos 15 funcionários públicos do aparelho do Estado por envolvimento no furto de medicamentos nas unidades de saúde, noticiou a Lusa em 31 de julho.